Aviso Semanal – 01

semanal

Por se tratar da primeira avaliação do ano, este aviso terá uma breve abordagem da economia global, em especial a americana e do que podemos esperar para a economia brasileira após uma recessão sem precedentes.
Na passagem calendário de 2016 para 2017 os mercados continuam com o mesmo comportamento demonstrado nos últimos meses do ano que se findou, impulsionados pelo mercado de trabalho e por um crescimento econômico mais robusto nos EUA, além dos efeitos da forte expansão monetária provocada pelos principais bancos centrais recentemente, a valorização dos ativos continuam em acedente, a despeito do balanço de riscos para 2017 apresentar incertezas progressivas.
Na Europa eleições incertas e mercado de trabalho ainda fraco, a crescente dívida da China, o protecionismo de Trump e suas consequências para a economia global, além da caminhada para normalização monetária americana representarem riscos para mercado de dívidas.
Enquanto riscos como o do Fed apertar a política de forma mais agressiva do que o esperado, a política econômica brasileira ainda não consegue definir suas metas e objetivos de maneira clara. Cortes em investimentos estão sendo misturados com despesas e a forma de aumento das receitas continua indefinida, restando como única expectativa positiva a redução da taxa básica de juros, redução essa necessária, mas insuficiente, já que acaba sendo repassada, apenas na margem, para o mercado de crédito.
A solução fiscal inevitável passa por medidas que aumentem as receitas, como o retorno da CPMF e outros impostos.

Juros
Passamos todo o ano de 2016 criticando o conservadorismo excessivo do Banco Central na determinação da taxa básica de juros, foi preciso o desemprego atingir níveis alarmantes, a atividade econômica despencar para que a pressão fizesse os membros do Copom se movimentarem.
Diante deste quadro a inflação só poderia mesmo ser reduzida. “Foi preciso matar a vaca para acabar com os piolhos”.
Expectativa para a semana: Reunião do Copom na próxima quarta feira deve reduzir a taxa básica para 13,25%

 

Câmbio
Depois da forte desvalorização do real e de outras moedas frente o dólar observada na retomada do aumento de juros pelo FED o mercado de divisas acabou rapidamente devolvendo toda a alta apresentada e em alguns casos retornando a níveis mais baixos, como no caso do real.
Se a queda do dólar é benéfica para a inflação brasileira, por outro lado, não só retarda a retomada do crescimento como prejudica o setor externo.
Expectativa para a semana: Semana fechando em R$ 3,18/3,23 por dólar

 

Bolsa de Valores
No embalo da valorização das bolsas em todo o mundo, em especial as dos EUA que atingiram recordes de pontuação, a Bovespa segue se valorizando com seus dois principais papéis, Petrobrás e Vale do Rio Doce, sendo impulsionados pelo aumento no preço do petróleo e do minério de ferro no mercado internacional.
Mesmo com a economia brasileira combalida a abundância de recursos disponíveis para aplicações de riscos continua ditando o comportamento do mercado bursátil até que eventos que afetem o chamado balanço de riscos globais mudem a percepção dos agentes.
Expectativa para a semana: 61.000/62.000

 

A frase hoje é referência a chamada “política monetária” no Brasil – “A definição de insanidade é fazer sempre a mesma coisa e esperar um resultado diferente”. Albert Einstein

 

*As opiniões aqui contidas são pessoais e não representam recomendação de compra ou venda de ativos financeiros. Desta forma, os autores estão isentos de quaisquer responsabilidades sobre as decisões de investimentos tomadas por seus leitores.
O Aviso em Dois tem como finalidade a troca de ideias, informações e conhecimentos técnicos com os leitores e participantes do mercado financeiro.

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Economista e Palestrante. CEO do Portal Aviso em Dois e do Projeto Arrisque

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