Aviso Semanal – 45

semanal

A semana
Depois do resultado eleitoral nos EUA onde o candidato Donald Trump venceu o pleito contrariando todas as pesquisas e as previsões dos analistas, mas não esta coluna que alertou para o fato da ampla possibilidade de vitória de uma proposta protecionista e antiglobalização encontrar eco no eleitorado conservador, assim como aconteceu na votação do Brexit, os mercados, mundo afora, entraram em polvorosa.
Mais que os efeitos das propostas de campanha feitas por Trump e hoje amplamente avaliadas em seus efeitos pelo mercado o que vem provocando uma subida nas taxas de juros americanas é por consequência valorização do dólar e fuga de recursos nos mercados emergentes é o caminho livre que o FED tem para implementar a atrasada normalização monetária. Se antes a autoridade monetária americana evitou aumentar a taxa de juros para não provocar ruídos no processo eleitoral, hoje já não existem motivos para iniciar o processo na próxima reunião de dezembro.
Com toda essa movimentação nos mercados internacionais o Brasil, assim como a maioria dos emergentes acaba sofrendo as consequências de uma fuga de capital e menor atratividade para os investimentos, em especial em ativos de risco como ações.
Convém lembrar que os ajustes na taxa de juros pelo FED continuam sendo modestos, e não suficientes para causar maiores desajustes nos preços dos ativos neste momento.

 

Juros
Era sobejamente sabido que quando o FED decidisse retomar o ajuste na sua taxa de juros o Brasil iria sofrer consequências causadas pela alta do dólar frente ao real e consequente ajuste no repasse de preços dos produtos.
A atitude do Tesouro Nacional cancelando leilões de vendas de títulos públicos e realizando leilões de recompra para acalmar o mercado de juros só evidencia a baixa liquidez do mercado secundário de títulos e sua transmissão potencializada para a curva de juros todas as vezes que ocorrem eventos fora dos padrões.
Expectativa para a semana: Volatilidade com tendência a queda em relação ao fechamento da semana anterior

 

Câmbio
Assim como os demais mercados emergentes o Brasil teve sua moeda fortemente desvalorizada com a alta dos juros americanos, mesmo com o país perdendo reservas (de 07/11- US$ 376.212 milhões para 18/11 – US$ 372.735 milhões) o cenário não sugere uma depreciação do real muito exagerada.
Expectativa para a semana: Volatilidade, fechando a semana em R$ 3,33/3,38 por dólar

 

Bolsa de Valores
Dentre todos os mercados o bursátil sem sombra de dúvida é o que acaba sendo o mais afetado por ajustes em taxas de juros em países que costumam alocar recursos em mercados de maiores riscos como são considerados os mercados emergentes. Alem dos juros como inibidor de fluxo de capitais para fora dos EUA, um dólar mais forte perante as demais moedas acaba afetando negativamente os preços das principais commodities.
A volatilidade promete continuar alta no médio prazo e a cautela na formação de carteiras continua prevalecendo no balanço de riscos
Expectativa para a semana: 60.000/61.000

 

“Espere o melhor, prepare-se para o pior e aceite o que vier.” Provérbio chinês

 

*As opiniões aqui contidas são pessoais e não representam recomendação de compra ou venda de ativos financeiros. Desta forma, os autores estão isentos de quaisquer responsabilidades sobre as decisões de investimentos tomadas por seus leitores.
O Aviso em Dois tem como finalidade a troca de ideias, informações e conhecimentos técnicos com os leitores e participantes do mercado financeiro.

About

Economista e Palestrante. CEO do Portal Aviso em Dois e do Projeto Arrisque

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