Lenna Bahule

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Lenna Bahule está lançando seu primeiro disco, “Nômade”. Ao contrario do que aconteceu num passado recente quando os ex-colonizados buscavam se afirmar como artistas e divulgar seus trabalhos nas antigas metrópoles Lenna busca o Brasil num momento onde os afro descendentes buscam sua afirmação e recuperar suas raízes africanas.

Lenna Bahule iniciou sua formação em música aos cinco anos tendo ingressado na Escola Nacional de Música (ENM) em Maputo- Moçambique onde nasceu. Desde 2012, radicada em São Paulo, fundamentou sua pesquisa sobre a música vocal e diferentes caminhos para o uso da voz e do corpo como instrumento musical e de expressão artística.

Estudou e participou de atividades de intercâmbio e grupos de estudo com alguns artistas pioneiros das várias técnicas que sustentam essa pesquisa como: Fernando Barba, Stênio Mendes, Zuza Gonçalves, Pedro Consorte, Ronaldo dos Santos, Tiago Pinheiro, Geórgia Dias, Wagner Barbosa, Sílvia Goes, Eleni Vosniadou (GRE), Rhiannon (USA), Santiago Vasquez (ARG), Guillermo Rozenthuler (UK).

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Aqui não vai nenhum preconceito quando digo que a voz negra tem uma sonoridade que me agrada em muito seja cantando samba, jazz ou qualquer outro tipo de musica e ainda mais quando Lenna canta em moçambiques (se é que existe essa expressão já que a língua oficial é o português). Essa voz negra é perseguida por muitos lembro aqui só de passagem a Joss Stone e Janis Joplin.

Lenna lança o disco em um momento onde se comemora desde 25 de julho dia oficial, Dia Internacional das mulheres negras na América Latina e no Caribe que inclui os indígenas brasileiros.

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Lenna tem um trabalho que sempre esteve ligado ao seu povo e agora seu novo povo, nós os brasileiros.

Em aulas particulares e em encontros em grupo, Lenna orienta cantores e grupos corais/vocais desenvolvendo um trabalho de expansão criativa e expressiva, fazendo o uso de algumas técnicas de improvisação livre, consciência corporal, jogos e brincadeiras musicais do universo da música corporal, circlesong e regência de sinais, e um trabalho introdutório sobre o repertório da música vocal de Moçambique.
Na área de arte-educação, pesquisa e ministra uma oficina sobre jogos, brincadeiras, cantos e danças infantis e populares de sua terra natal. Já ministrou esta oficina em diversos locais como: Instituto Brincante, Casa do Brincar, Teca Oficina de Música, Sesc’s, entre outros.

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Colaborou com alguns artistas brasileiros como Angelo Mundy (Abrigação), Luiz Tatit (Palavras e Sonhos), Jurema Paes (Mestiça), Benjamim Taubkin e Itamar Doari (Encontros), João Taubkin (Taubkin e Bahule), entre outros.

Ela desenvolve um trabalho que gostaria de presenciar. Se apresentou com o coral jovem do estado (EMESP) e fez a direção musical da peça acessível para cegos e surdos “FEIO” em parceria com o coletivo GRÃO.

Seu disco na primeira ouvida pode soar estranho para ouvidos pouco acostumado a enfrentar novidades. Aos poucos o batuque, a voz cativam o ouvinte e já no final surge a vontade de ouvis de novo. Não é uma experiência nova já que em algum momento ouvimos uma musica em inglês e sem saber a letra gostamos. É assim que acompanhamos as 12 faixas do disco com musicas que segundo a própria Lenna é sua biografia.

A certa altura você já identifica seu trabalho com alguma coisa tipicamente brasileira. Pode ser uma pitada de Naná Vasconcelos, um pouco de Hermeto Pascoal, e até a velha guarda da Portela e outras que ainda não identifiquei. O batuque e a voz juntos fazem do disco um produto sofisticado. Ouvir uma vez ou duas é pouco para descobrir algumas sutilezas ali escondidas.

Lenna no seu site oficial disponibiliza o Nomade por inteiro.

Ouça duas gravações uma língua nativa e outra onde canta Rosa de Pixinguinha.

About

Jornalista cultural, tendo trabalhado nos principais veículos midiáticos nacionais e, durante 15 anos, chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura

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