Aviso Semanal – 31

semanal

A semana: Dentro da mesma política econômica, de redução de juros e injeção de recursos, que tem dominado os principais bancos centrais, na quinta feira que passou foi a vez do Banco Central do Reino Unido reduzir sua taxa de juros a um mínimo histórico de apenas 0,25%, e lançar um programa de flexibilização quantitativa de £ 70 bilhões, incluindo um inédito £ 10 bilhões dedicada à compra de títulos com grau de investimento de empresas com operações significativas no Reino Unido. O corte na taxa era amplamente esperado, a extensão de compras de títulos nessa magnitude é que surpreendeu a maioria dos analistas.
Com o Banco Central da Austrália também reduzindo sua taxa, já são agora 666 cortes de juros em todo o mundo desde o colapso do Lehman Brothers em 2008. O Brasil é uma exceção.
Isso tudo aliado a programas de recompra de ações, grandes fusões e aquisições, e a escassez IPOs que estão provocando uma substancial diminuição na quantidade de ações nos mercados.
Assim, nem mesmo a constante melhora no mercado de trabalho, mostrada na sexta feira nos EUA ainda não está sendo capaz de aplacar o apetite por risco que vem dominando o mercado de ações e tampouco está servindo para alçar as taxas dos títulos americanos na crença que o FED venha a alterar sua taxa básica já no mês de setembro.
Por aqui a esperada reversão na forte recessão econômica só é vislumbrada em termos estatísticos, com expectativas que o pior já passou que as demissões no emprego são menores e que o sentimento econômico está melhorando. Medidas concretas continuam abaixo de zero.

 

Juros: O presidente do Banco Central foi bem claro em dizer que enquanto não tivermos um ajuste nas contas públicas para diminuirmos o grande déficit não tem como reduzir a taxa de juros.
Taxa de juros nas alturas é a maior responsável pelo déficit.
Política monetária “tostines”: O déficit não cai porque a taxa de juros é alta ou a taxa de juros é alta porque o déficit não cai?
Expectativa para a semana: Estabilidade na curva com breves variações

 

Câmbio: Estamos inexoravelmente perdendo parte do que foi mais benéfico na crise econômica, o ajuste externo e os benefícios a indústria e ao setor exportador. Com a certeza que a indexação ao dólar é a maior causadora dos desequilíbrios globais a tendência macro de queda fica cada dia mais evidente.
Se os swaps cambias não foram capazes de conter a disparada na cotação do dólar frente ao real, também não serão capazes de reduzir o ritmo da queda no médio prazo.
Expectativa para a semana: Continuidade da queda, fechando a semana em R$ 3,10/3,15 por dólar

 

Bolsa de Valores: O grande questionamento que se faz hoje no mundo bursátil é até quando essa disparada nas bolsas de todo o mundo irão continuar?
Motivações existem de sobra: abundancia financeira, através dos programas de injeção de recursos pelos bancos centrais, taxas de juros próximas de zero e por vezes negativas, recompra de ações pelas empresas e consequente diminuições brutais nas percepções de riscos.
Exceto o setor de tecnologia os demais sofrem consequências da crise de 2008 que ainda está presente. O pior só acontece quando os preços dos ativos sinalizam que a probabilidade de nova crise está longe de acontecer.
As bolsas devem buscar patamares mais altos e quanto mais subirem maiores serão os riscos inerentes. Assim, a melhor estratégia é operar curto e rápido surfando a onda e com cuidado para não se arrebentar no arrecife.
Expectativa para a semana: 56.500/57.500

 

“Ademã, que eu vou em frente e cuidado que cavalo não desce escada” – Ibrahim Sued

 

*As opiniões aqui contidas são pessoais e não representam recomendação de compra ou venda de ativos financeiros. Desta forma, os autores estão isentos de quaisquer responsabilidades sobre as decisões de investimentos tomadas por seus leitores.
O Aviso em Dois tem como finalidade a troca de ideias, informações e conhecimentos técnicos com os leitores e participantes do mercado financeiro.

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Economista e Palestrante. CEO do Portal Aviso em Dois e do Projeto Arrisque

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