Aviso Semanal – 30

semanal

A semana: Dentro de um mundo financeiro inundado de recursos e valorização expressiva de ativos de risco em busca de retornos. As novidades na semana que passou as novidades ficaram por conta do BoJ (banco Central do Japão) deixando a recompra de títulos do governo japonês estática em um valor anual de 80 trilhões de ienes e a taxa de juros inalterada em -0,1%, (maioria dos agentes do mercado esperavam aumento no volume de recompra e baixa nos juros até -0,3%) e os testes de estresse dos bancos europeus de sexta-feira que mostram que as políticas de taxas de juros próximas de zeros e o baixo crescimento econômico só estão agravando um já combalido sistema bancário no Velho Continente.
A abundância financeira global, fruto das intervenções de vários bancos centrais, não tem perspectivas de ser mudada no curto prazo, nem mesmo a aguardada normalização financeira, com aumento de juros, por parte do FED está próxima de acontecer enquanto as economias se mostram debilitadas. Porem, já está mais do que na hora de ficarmos atentos as consequências dessa brutal queda nos prêmios de riscos da maioria dos ativos, principalmente os bursáteis.
Então, é um olho no gato e outro no peixe!

 
Juros: Definitivamente o Brasil é o país dos juros altos. A insistência em manter a taxa básica selic em 14,25% com a economia em forte recessão e sem sinais de melhora no curto prazo é inconcebível. Mais cedo ou mais tarde esses juros terão que ser reduzidos como na frase popular “a pau e corda”.
Expectativa para a semana: Estabilidade nos prazos curtos da curva e queda nos mais longos

 
Câmbio: Mais que a ração diária de 10.000 contratos de swap (US$ 500 milhões) reverso oferecida pelo Banco Central para segurar a cotação da moeda norte americana frente ao real a recuperação do dollar índex é a maior responsável por não observamos um recuo ainda maior.
Expectativa para a semana: Continuidade da leve correção, fechando a semana em R$ 3,25/3,35 por dólar

 
Bolsa de Valores: Mesmo com a economia mundial crescendo menos que o esperado e a brasileira estar longe de sinalizar uma melhora no curto prazo, a recente busca frenética por ativos de maiores risco estão prevalecendo desde o início de 2016.
Em NY o Dow Jones, S&P 500 e a Nasdaq não param de bater recordes em suas pontuações, assim como as bolsas europeias a brasileira vem ganhando destaque na recuperação dos preços, mesmo contrariando os tradicionais fundamentos.
Mesmo com a continuidade da injeção de recursos financeiros e as baixas taxas de juros mundo afora é preciso ter muito mais cautela e critérios para ingressar em ações neste momento onde uma realização está se tornando cada dia mais provável.
Expectativa para a semana: 56.000/57.000

 
“De querer ser a crer que já se é, vai uma distância do trágico ao cômico.” José Ortega y Gasset

 
*As opiniões aqui contidas são pessoais e não representam recomendação de compra ou venda de ativos financeiros. Desta forma, os autores estão isentos de quaisquer responsabilidades sobre as decisões de investimentos tomadas por seus leitores.
O Aviso em Dois tem como finalidade a troca de ideias, informações e conhecimentos técnicos com os leitores e participantes do mercado financeiro.

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Economista e Palestrante. CEO do Portal Aviso em Dois e do Projeto Arrisque

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