Além da Imaginação

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Foi com certa surpresa que descobri que é possível assistir series antigas como, por exemplo, a serie “Além da Imaginação”. É um site que foi apresentado por uma dessas maníacas por computador e que adora descobrir novidades. Graças a essa jovem amiga fui apresentado ao Oldflix. Me desculpe se não é novidade para alguns, mas para mim foi sem duvida. Tem filmes interessantes que sem duvida fazem parte da história do cinema. Você pode assistir como o Expresso Von Ryan com Frank Sinatra, O Pequeno Grande Homem com Dustin Hofman, Primeira noite de um Homem também com Dustin Hofman e outros tantos que nunca tivemos oportunidade de assistir.

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Outra grande surpresa foi descobrir que é possível assistir uma série antológica que foi “Alem da Imaginação”, exibido entre 1959 e 1964.

O criador Rod Serling foi o homem do seu tempo. Ao criar a serie “Alem da Imaginação” traduziu o imaginário popular americano de sua época. Com a possibilidade de o mundo desaparecer diante de uma corrida armamentista, a energia atômica, a ciência, os experimentos humanos, invasão de alienígenas, provocavam uma serie de fantasias na imaginação popular que Rod Serling transformava como material para sua série. Era o auge da ficção Científica.

O que transformou a série em sucesso foi às situações inusitadas em que seus personagens se encontravam e o texto quase sempre impecável.

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Esse texto abria cada episódio:

“Há uma quinta dimensão além daquelas conhecidas pelo Homem. É uma dimensão tão vasta quanto o espaço e tão desprovida de tempo quanto o infinito. É o espaço intermediário entre a luz e a sombra, entre a ciência e a superstição; e se encontra entre o abismo dos temores do Homem e o cume dos seus conhecimentos. É a dimensão da fantasia. Uma região Além da Imaginação.” •.
A história de duração de 25 minutos sempre surpreendia pelo tema. Eram histórias que dificilmente se esquece quem assistiu.

Um das que me impressionou quando garoto foi de um personagem que gostava de ler. Todos as sua volta implicavam com sua leitura, desde a sua mulher e seu chefe no banco. Como acontecia todos os dias na hora de seu almoço se recolheu no cofre do banco lugar que ninguém o procuraria. Um dia um tremor trancou o leitor compulsivo no cofre. Algum tempo depois outro tremor abriu o cofre. Surpreso descobriu que uma explosão havia destruído o mundo. Ao se recuperar da surpresa da fatalidade resolveu se adaptar a nova vida fazendo o que mais gostava ler. Pouco tempo depois aparece separando livros de uma biblioteca, Uma longa estrada de livros separados segundo o seu interesse. Pronto, agora ninguém mais iria incomodá-lo na sua leitura. O destino foi cruel. Já no final do episódio o obsessivo leitor deixa cair o óculos que acaba por pisá-lo. Seu desespero não foi à perda do mundo, mas os óculos que o impediria de ler.

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Ao revisitar a história dessa série descobrimos roteiristas sofisticados e imaginativos que trabalhavam para a série como Charles Beaumont, Richard Matheson, Jerry Sohl, George Clayton Johnson, Earl Hamner, Jr., Reginald Rose, Harlan Ellison e o famoso escritor de ficção Cienetifica Ray Bradbury. Provavelmente muito desses roteiristas estavam na lista negra do Macartismo.

A série utilizava a ficção científica como metáfora para explicar situações sociais. Como as emissoras e os patrocinadores não permitiam situações potencialmente críticas da realidade do país naquela época, os redatores se valiam da ficção para expor diversos assuntos, que acabavam sendo ignorados pelos censores, que pensavam que o programa era de fantasias inócuas. Alguns temas recorrentes foram a guerra nuclear, as doutrinas de Joseph McCarthy e outros assuntos proibidos pelo cinema e televisão. Certos episódios ofereciam comentários de eventos da atualidade, e usavam parábolas ou alegorias para analisar a moral ou decisões filosóficas dos personagens.

Na tentativa de ganhar audiência pelo sucesso que a série fez nos anos 60 foram convidados para dirigir os episódios cineastas como Francis Ford Coppola, John Landis, Steven Spielberg, Joe Dante, e George Miller.

Vale a pena ver de novo.

https://www.youtube.com/watch?v=l3CGWRpl3-g

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Jornalista cultural, tendo trabalhado nos principais veículos midiáticos nacionais e, durante 15 anos, chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura

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