A Queda da Bastilha Helênica

Liberté, Egalité, Fraternité

(Liberdade, Igualdade, Fraternidade)

No Século XVIII a França vivia uma grave crise econômica. A situação do país era caótica, os privilégios dados à nobreza e ao Alto Clero dilapidaram as finanças e as palas secas, responsáveis por uma crise agrária, levou os camponeses à miséria extrema, com desabastecimento das cidades e retração do comércio interno.

Os chamados privilegiados estavam isentos de impostos, e apenas uma ordem sustentava o país, deixando obviamente a balança comercial negativa ante os elevados custos das sucessivas guerras, altos encargos públicos e os supérfluos gastos da corte do rei Luís XVI.

No dia 14 de Julho de 1789, a Bastilha, prisão que abrigava os opositores do governo ou mesmo os que se opunham à religião oficial, foi tomada por revolucionários.

A Bastilha abrigava apenas sete prisioneiros, no entanto a multidão invadiu-a tanto por representar um símbolo do absolutismo, como para tomar as armas que havia em seu interior.

Em 26 de agosto foi aprovada a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de inspiração iluminista, defendia o direito a liberdade, à igualdade perante a lei, a inviolabilidade da propriedade privada e o direito de resistir à opressão.

Passados exatos 226 anos, o mundo se depara com uma situação semelhante no velho continente, a crise que se abate na Grécia berço da civilização ocidental, da filosofia, da literatura, da dramaturgia e da ideia moderna de democracia.

O setor bancário e seu absolutismo disseminaram para outros cantos do mundo suas operações exóticas e sua irresponsabilidade social.

Governos centrais foram obrigados, em nome de salvar a economia real, a tomar medidas e lançar pacotes econômicos de salvação.

Trilhões de dólares foram despejados nas economias e taxas de juros foram levadas ao piso mínimo praticados nas últimas décadas.

Economias desenvolvidas naufragaram e as periféricas sofreram suas consequências inevitáveis da globalização.

Taxas negativas de crescimento (recessões), desemprego crescente, demissões de trabalhadores, fechamento de indústrias e quebras de bancos marcaram os últimos anos desde a crise do subprime em 2008.

Passados alguns poucos anos da fase mais aguda da crise financeira mundial, mesmo com o fantasma de um retorno aos piores dias pairando no ar, os ativos financeiros recuperaram boa parte das perdas e o mundo continua a aguardar a prometida regulação e controle das operações financeiras e seus derivativos.

Não necessitamos de muita expertise para constatarmos que desde a última crise as promessas de regulação não foram cumpridas. O sistema financeiro não foi punido, as regras não mudaram, no entanto a chamada economia real e a população menos favorecida, continuam pagando o preço da irresponsabilidade de um setor que controla financeiramente e politicamente as decisões mundiais.

A data histórica de 14 de julho é um dia propício à reflexão do momento atual que vive a República Helênica e as demais economias afetadas por uma crise antes de tudo, ética e moral, que varreu os conceitos e princípios de Igualdade, Liberdade e Fraternidade. Data que marcou o início da mais importante Revolução do Mundo Contemporâneo.

Que o povo helênico resista a se subjulgar aos interesses do setor bancário e dos falcões da comunidade financeira com a bravura, dignidade e altivez que sempre o caracterizam na historia da civilização, não só capitulando como também mostrando o caminho a outros povos para derrubarem suas Bastilhas.

 

Liberdade, Igualdade e fraternidade ao povo grego!

 

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Economista, pós-graduando em Ciências Sociais e possui especialização em psicologia econômica

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