A Queda da Bastilha Helênica

Backdropped by the ancient Parthenon, protesters can be seen after they placed giant banners off the Acropolis hill, in Athens, Wednesday Dec. 17, 2008.  Protesters in Greece have hung the two banners over the ancient monument's walls with slogans calling for mass demonstrations and 'resistance' after days of violent protest sparked by the fatal police shooting of a teenager in Athens.(AP Photo/Lefteris Pitarakis)

Liberté, Egalité, Fraternité

(Liberdade, Igualdade, Fraternidade)

No Século XVIII a França vivia uma grave crise econômica. A situação do país era caótica, os privilégios dados à nobreza e ao Alto Clero dilapidaram as finanças e as palas secas, responsáveis por uma crise agrária, levou os camponeses à miséria extrema, com desabastecimento das cidades e retração do comércio interno.

Os chamados privilegiados estavam isentos de impostos, e apenas uma ordem sustentava o país, deixando obviamente a balança comercial negativa ante os elevados custos das sucessivas guerras, altos encargos públicos e os supérfluos gastos da corte do rei Luís XVI.

No dia 14 de Julho de 1789, a Bastilha, prisão que abrigava os opositores do governo ou mesmo os que se opunham à religião oficial, foi tomada por revolucionários.

A Bastilha abrigava apenas sete prisioneiros, no entanto a multidão invadiu-a tanto por representar um símbolo do absolutismo, como para tomar as armas que havia em seu interior.

Em 26 de agosto foi aprovada a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de inspiração iluminista, defendia o direito a liberdade, à igualdade perante a lei, a inviolabilidade da propriedade privada e o direito de resistir à opressão.

Passados exatos 226 anos, o mundo se depara com uma situação semelhante no velho continente, a crise que se abate na Grécia berço da civilização ocidental, da filosofia, da literatura, da dramaturgia e da ideia moderna de democracia.

O setor bancário e seu absolutismo disseminaram para outros cantos do mundo suas operações exóticas e sua irresponsabilidade social.

Governos centrais foram obrigados, em nome de salvar a economia real, a tomar medidas e lançar pacotes econômicos de salvação.

Trilhões de dólares foram despejados nas economias e taxas de juros foram levadas ao piso mínimo praticados nas últimas décadas.

Economias desenvolvidas naufragaram e as periféricas sofreram suas consequências inevitáveis da globalização.

Taxas negativas de crescimento (recessões), desemprego crescente, demissões de trabalhadores, fechamento de indústrias e quebras de bancos marcaram os últimos anos desde a crise do subprime em 2008.

Passados alguns poucos anos da fase mais aguda da crise financeira mundial, mesmo com o fantasma de um retorno aos piores dias pairando no ar, os ativos financeiros recuperaram boa parte das perdas e o mundo continua a aguardar a prometida regulação e controle das operações financeiras e seus derivativos.

Não necessitamos de muita expertise para constatarmos que desde a última crise as promessas de regulação não foram cumpridas. O sistema financeiro não foi punido, as regras não mudaram, no entanto a chamada economia real e a população menos favorecida, continuam pagando o preço da irresponsabilidade de um setor que controla financeiramente e politicamente as decisões mundiais.

A data histórica de 14 de julho é um dia propício à reflexão do momento atual que vive a República Helênica e as demais economias afetadas por uma crise antes de tudo, ética e moral, que varreu os conceitos e princípios de Igualdade, Liberdade e Fraternidade. Data que marcou o início da mais importante Revolução do Mundo Contemporâneo.

Que o povo helênico resista a se subjulgar aos interesses do setor bancário e dos falcões da comunidade financeira com a bravura, dignidade e altivez que sempre o caracterizam na historia da civilização, não só capitulando como também mostrando o caminho a outros povos para derrubarem suas Bastilhas.

 

Liberdade, Igualdade e fraternidade ao povo grego!

 

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Economista, pós-graduando em Ciências Sociais e possui especialização em psicologia econômica

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