Tunga

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Triste sina a minha. O Tunga, Antonio José de Barros Carvalho e Mello Mourão, morreu nesta segunda feira de câncer. Um dos meus artistas preferidos que trouxesse a poesia e seu conflito com a realidade. Diante daquelas muitas obras estranhas foi abjurado pela critica tradicional que faltava sensibilidade e disposição de entender o que se passava.

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Lygia Clark e Helio Oiticica teve em Tunga seu continuador como explica Paul Sztulman numa critica por ocasião da participação do artista numa das exposições mais importantes do mundo Documenta Kassel:
“Tunga pertence à geração de artistas brasileiros seguidores de Hélio Oiticica e Lygia Clark. Arquiteto por formação, imerso em literatura (de Nerval a Borges) e em referências filosóficas e científicas (arqueologia, paleontologia, zoologia, medicina), seu trabalho exibe a marca das grandes ficções do continente latino-americano. Freqüentemente lidando com o excesso – muitas de suas obras foram realizadas através do acúmulo de materiais pesados (ferro, cobre, ímã) -, ele apresenta objetos comuns que passaram por uma estranha transformação: dedais, agulhas gigantes ou pentes. Inventa um bestiário fantástico de lagartos e serpentes mutantes que parece saído diretamente de uma antologia surrealista

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Jogando com as diferenças de proporções, Tunga considera a escultura como um conjunto de formas e figuras enigmáticas cuja estranheza e proporções fabulosas intrigam o espectador e causam transtorno em sua percepção habitual de próximo e distante, dentro e fora, cheio e vazio. Seu interesse no inconsciente e, particularmente, nos processos associativos das engrenagens do sonho, bem como na figura da metáfora, o levou a construir obras de arte com ramificações e efeitos de significado múltiplos. Estes se entrelaçam com erupções do fantástico, convidando o espectador a penetrar num universo barroco onde não se pode distinguir o real do imaginário”.
Paul Sztulman

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Num olhar atento as suas obras é possível criar associações muito próprias de quem observa. E é essa proposta, em que o observador crie uma linguagem muito própria provocada pela obra independente do que buscar saber o que “artista queria dizer com aquela obra”.

Tunga nunca se inibiu. Dava assas a imaginação e as transformava em realidade. Não se pode compreender a arte de Tunga sem liberar a própria imaginação e se deixar levar.

Adeus Tunga, nossa imaginação está mais pobre.

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Jornalista cultural, tendo trabalhado nos principais veículos midiáticos nacionais e, durante 15 anos, chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura

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