Mestre Biano

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Li nesse final de semana que Sebastião Biano integrante e líder da extinta Banda de Pífanos de Caruaru concorreu à categoria instrumental do Premio da Musica Brasileira pelo disco Sebastião Biano e seu terno esquenta muié.

Disputando com ele nessa categoria o saxofonista Naylor Proveta e Yamandu Costa. Quando saiu o disco me preparei para escrever sobre ele, mas algo aconteceu e me esqueci e agora com a lembrança me redimo.

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O Premio da Musica Brasileira é um premio importante e Biano é muito maior que isso. Ele é possivelmente um dos últimos remanescentes dos músicos populares que autodidatas percorriam festas e feiras para dar alegria, seu espaço é o chão e não o palco. Um achados desse disco é a narração onde de memória vai contando história de um tempo e mundo que já existe mais. Neste disco ele é acompanhado por Renata Amaral, Eder O Rocha, Junior Kaboclo, Filpo Ribeiro e André Magalhães com participação especial de Naná Vasconcelos e Siba.

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Vamos a sua história e sua importância. Informação tirada do dicionário MPB:
Dentre todas as Bandas de Pífanos, a que mais obteve destaque foi a Banda de Pífanos Zabumba de Caruaru. Em 1924 é criada oficialmente a Banda de Pífanos Zabumba de Caruaru pela família Biano, tendo à frente os irmãos Benedito e Sebastião, assim como os filhos deste, João e Gilberto, e mais dois parentes, José e Amaro. A banda tornou-se uma tradição na família Biano, e seus componentes vão-se renovando ao longo do tempo, sendo mantida no fim dos anos 1990 pelos bisnetos dos fundadores.

Benedito e Sebastião são considerados por muitos como virtuoses, pela riqueza melódica, sincopação, brilho e adequação aos instrumentos. Benedito, que faleceu em 1999, começou na banda aos 12 anos de idade. A Banda de Pífanos de Caruaru tornou-se conhecida fora de sua região, quando, em 1972, Gilberto Gil gravou a composição “Pipoca moderna”, de Sebastião Biano com letra de Caetano Veloso em seu disco “Expresso 2222”. A partir daí, a banda ganha destaque nacional, passando a realizar diversos shows pelo país e a gravar discos, fazendo com que muitos de seus membros abandonassem os empregos e passassem a viver apenas da música.

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Em 1975, Caetano Veloso gravou “Pipoca moderna” no disco “Jóia”, do mesmo ano. A banda já gravou oito discos e influenciou diversos artistas, como o Quinteto Armorial, que, surgido sob a orientação de Ariano Suassuna, se inspirou no Terno de Pífanos de Caruaru, o Quinteto Violado; também teve como fonte de inspiração as bandas de pífanos, e, mais recentemente, o grupo Mestre Ambrósio. Em 1972, gravou seu primeiro disco pela CBS. No mesmo ano, participou da série Música Popular do Nordeste, dirigida por Marcus Pereira, no volume quatro, no qual interpretou as composições “Marcha de procissão”, de Benedito Biano, “Esquenta mulher” e a “Briga do cachorro com a onça”, ambas de Sebastião Biano, sendo que a última é tema conhecido e reconhecido em todo o Nordeste. Em 1980 lançou pelo selo Marcus Pereira o LP “A bandinha vai tocar”, no qual interpretam diversas músicas de componentes da banda, como “Baiano da viola”, de Benedito e Sebastião Biano, e alguns clássicos da música nordestina, como “Forró em Limoeiro”, de Edgar Ferreira, “A Bandinha vai tocar”, de Anastácia e Paraná Queiroz, e “Feira de Mangaio”, de Sivuca e Glorinha Gadelha. Em abril de 2006, a BPC participou do Projeto Pixinguinha, abrindo a caravana que parte de Cachoeiro de Itapemirim, ES, circulando por Campinas, Tubarão e Guaratinguetá, junto com a cantora paulista Cris Aflalo e o piauiense Gilvan Santos. Nos shows a banda incluiu o repertório do novo disco “No século XXI, no pátio do forró”. Antes de partir a caravana, o grupo apresentou show no Bar do Tom, RJ.

Informações sobre o disco:
Sebastião Biano e seu terno esquenta muié reúne 18 temas de autoria do alagoano de nascimento, como os famosos “A briga do cachorro com a onça” e “Pipoca Moderna”, que ganhou letra de Caetano Veloso. Junto com Biano estão Filpo Ribeiro (viola e rabeca), Eder “O” Rocha (zabumbateria), Renata Amaral (baixo) e Júnior Caboclo (pífano), subvertendo a formação original de banda de pífanos e emprestando contemporaneidade aos deliciosos temas. Participação ainda de Naná Vasconcellos.

Os temas são entremeados pela fala do músico que tem muitas histórias pra contar, como a do dia em que tocou, apavorado, para o rei do cangaço Lampião, ou de como a pipoca “que saiu muito grande e bonita”, inspirou a sua composição mais famosa. Memórias, às vezes tristes, de um Brasil longínquo, árido e faminto, mas de cultura extraordinária, de novenas com zabumba, feiras e festas alegradas por girandas e bandinhas de pífanos. Ao longo da audição do CD vamos mergulhando no modo de vida de um certo Brasil e na formação de Mestre Biano. Difícil não se emocionar com os relatos maravilhosos e com a música cheia de alegria, a mesma daquele menino que descobriu o pífano brincando e nunca mais parou de tocar. Salve, seu Sebastião!

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Jornalista cultural, tendo trabalhado nos principais veículos midiáticos nacionais e, durante 15 anos, chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura

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