Aviso Semanal – 25

semanal

A semana: Nesta semana pós Brexit o mundo financeiro irá continuar tentando digerir e avaliar as consequências econômicas desta decisão do Reino Unido de se separar definitivamente do sistema Europeu.
Mesmo nunca contribuindo de fato com sua parcela de 13,764% no capital do Banco Central Europeu (BCE) o fato de se retirar do sistema não só impulsionará a saída de outros membros descontentes com o fluxo migratório (razão principal do movimento) como também colocará em xeque a capacidade financeira da autoridade monetária em dar continuidade a sua política de recompra de ativos de toda ordem para injetar recursos no sistema e impulsionar a economia.
Convém lembrar que a presidente do Fed Janet Yellen disse antes do referendo histórico de quinta-feira no Reino Unido: “o Brexit foi um dos riscos enfrentados pela economia global que poderia justificar uma abordagem cautelosa para o aumento das taxas de juros”. Como os demais principais BCs vão continuar seguindo com políticas expansionistas, no médio prazo as incertezas tendem a permanecer, o que explica o fato de mesmo com juros por vezes negativos em alguns países a demanda por esses títulos soberanos continuar crescente.
Em suma: É preciso que se mude o modelo tradicional de política monetária urgente, já que este não foi capaz de lidar com a principal causa dos desequilíbrios que prejudicam o crescimento econômico, a indexação ao dólar.
No cenário local a declaração do ministro interino da fazendo, Henrique Meirelles, mostrando que o Brasil hoje está pouco vulnerável a choques externos devido ao tamanho de suas reservas e de seu déficit externo não trouxe novidades e também não sinalizou o que é mais importante. Qual o caminho poderá ser perseguido para a retomada do crescimento?

Juros: A insistência na manutenção de uma taxa de juro real absurda diante da persistência da crise financeira global é injustificável para a economia brasileira. Só espero que o retardo do ciclo de queda nos juros não só continue prejudicando a retomada como também sendo o responsável pelo maior gasto do governo e nossas mazelas.
Expectativa para a semana: Queda de juros em toda a curva.

 
Câmbio: Como mencionado em avisos anteriores a supervalorização recente da moeda norte americana tem se tornado a maior razão dos desequilíbrios e do fraco crescimento, em especial o americano. Por incrível que possa parecer a desvalorização da libra esterlina ao invés de prejudicar a economia do Reino Unido acabará lhe trazendo benefícios. Por aqui o que se chamou no passado de “crise cambial” não passou de uma barbeiragem do Banco Central na condução da desvalorização que aos poucos vem caminhando para normalidade na cotação.
Expectativa para a semana: Volatilidade seguindo o cenário externo e com poucas chances de valorização, fechando a semana em R$ 3,35/3,40 por dólar

 
Bolsa de Valores: O Brasil não é uma ilha dentro do contexto econômico global e mesmo o mercado de renda variável, Bolsa de Valores, tendo maior aderência que os demais a Bovespa tende a se manter mais estável que uma maioria, como por exemplo, as bolsas europeias. Bastante vinculada ao preço das commodities deverá se prevalecer da futura valorização das mesmas, já que essas se tornam os chamados “ativos reais” em tempos de instabilidades.
Expectativa para a semana: 50.500/51.500

 
“A experiência é uma professora severa, porque dá o teste primeiro e a lição depois”, Vernon Law

 

*As opiniões aqui contidas são pessoais e não representam recomendação de compra ou venda de ativos financeiros. Desta forma, os autores estão isentos de quaisquer responsabilidades sobre as decisões de investimentos tomadas por seus leitores.
O Aviso em Dois tem como finalidade a troca de ideias, informações e conhecimentos técnicos com os leitores e participantes do mercado financeiro.

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Economista e Palestrante. CEO do Portal Aviso em Dois e do Projeto Arrisque

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