Projeto Coisa Fina

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A vida não é só o mercado financeiro, há momentos em que a alma pede um pouco de musica que pode nos levar a uma satisfação de outro tipo que não o bom negocia realizado durante o dia. Pra quem gosta de musica animada e sofisticada preste atenção para o cd Projeto Coisa Fina lançado no ano passado pelo selo SESC. É uma Big Band resultado do projeto Elefante de 2005 que reuniu big bands paulista que se reuniram pelo simples prazer de tocar juntos e trocar experiência.

O grupo paulista nasceu em dezembro de 2005, a partir da iniciativa de dois músicos, o saxofonista Daniel Nogueira e o contrabaixista Vinicius Pereira. Em 2001 tiveram seu primeiro contato com a música do maestro Moacir Santos e, desde então, surgiu o desejo de montar uma big band para tocar, dentre outras coisas, a obra de Moacir Santos. Integrado por 12 músicos, o Projeto Coisa Fina tem como objetivo maior difundir a música do maestro no Brasil.

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O grande alter ego do grupo é sem duvida Moacir Santos que povoou os sentimentos musicais dos músicos do projeto Elefante. Vamos saber quem esse Moacir Santos que é citado por Vinicius de Morais no Samba da Benção:
“A bênção, maestro Moacir Santos
Não és um só, és tantos como
O meu Brasil de todos os santos
Inclusive meu São Sebastião
Saravá! A bênção, que eu vou partir
Eu vou ter que dizer adeus”

Moacir Santos nasceu em 1923 em São José do Belmonte-Pe e começou cedo sua história musical, quando se uniu à banda da cidade Flores do Pajeú, em pleno sertão pernambucano, aos 14 anos, tocando saxofone, clarinete e trompete, entre outros instrumentos. Dois anos depois ele saiu pelo nordeste afora até 1943, quando arrumou um emprego na Rádio Clube de Recife.

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Em 1945 foi para a Paraíba, onde tocou na banda da Polícia Militar e na jazz band da Rádio Tabajara como clarinetista e tenorista. Em 1948 ele mudou para o Rio de Janeiro, onde trabalhou na gafieira “Clube Brasil Danças” durante 18 anos como saxofonista, arranjador e maestro. Com o prestígio alcançado no Brasil, Santos gravou em 1965 pela Forma, o seu primeiro álbum solo, “Coisas”. Santos compôs trilhas sonoras para muitos filmes como “Love in the Pacific”, “Seara Vermelha” (Rui Aversa), Ganga Zumba (Cacá Diegues), O Santo Médico (Sacha Gordine), e Os Fuzis (Ruy Guerra), entre outros.

Pois é esse Moacir Santos que fez a cabeça dessa moçada. O primeiro disco do grupo, m também lançado pelo sele SESC é dedicado a esse maestro pernambucano.

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Nesse segundo disco tem somente uma musica do Moacir, “Almagamation”. Um dos critérios para avaliar a criatividade é ouvir uma musica muito conhecida e perceber o que de novo surgiu. Nesse disco a banda apresenta “Assanhado” do Jacob do Bandolin e “Asa Branca” de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga. Dá pra perceber, acho que posso chamar assim, de inteligência criativa.

A banda segue a tradição de bandas que também eram chamas de orquestras, a do Severino Araujo, Silvio Mazuca, só pra lembrar alguns. Os metais, as palhetas integradas ao baixo e piano sob o ritmo de uma percussão bem brasileira faz um bem a nossa alma.

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Jornalista cultural, tendo trabalhado nos principais veículos midiáticos nacionais e, durante 15 anos, chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura

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