O que é o CDI?

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CDI muito conhecido e pouco entendido pela maioria das pessoas.

Os Certificados de Depósitos Interbancários (CDIs) são títulos emitidos pelos bancos como forma de captação ou aplicação de recursos excedentes. Criado em meados da década de 1980, os CDIs são aplicações com prazos de um dia útil, com objetivo de melhorar a liquidez de uma determinada instituição financeira. Essas transações são fechadas por meio eletrônico e registradas nos computadores das instituições envolvidas e nos terminais do CETIP*

A maioria das operações é negociada por um dia. A taxa média diária do CDI de um dia é utilizada como referencial para o custo do dinheiro (juros). Por esse motivo, essa taxa também é utilizada como referencial para avaliar a rentabilidade das aplicações em fundos de investimento. A Taxa CDI mais amplamente adotada no mercado é a DI-Over. Ela é calculada como a média das operações transacionadas num único dia, desconsiderando as operações dentro de um mesmo grupo financeiro.

As características de um CDI são semelhantes àquelas de um CDB, porém os CDIs somente são negociados no mercado interbancário, transferindo recursos de uma instituição financeira para outra.

CDIs são fundos pouco rentáveis, mas também fundos seguros e adequados para pessoas com perfil conservador.

Mesmo sendo um acumulado da média das taxas diárias, uma renda variável, é também utilizado como comparativo de avaliação para aplicações em renda fixa e até mesmo em fundos de ações.

Importante observar neste momento que muito se discute sobre os riscos de inadimplência nos empréstimos e de seus riscos para os bancos, a taxa representativa do crédito interbancário, ser na média, sempre menor que a taxa que mede o risco público e soberano, a Selic. Só mesmo no Brasil existe esta distorção do crédito privado (empréstimos entre bancos) ser mais barato que o crédito público.

Este “fenômeno” de avaliação vem ocorrendo há muito tempo, desde que a taxa passou a se tornar referência nos mercados.

A explicação é simples: justamente por ser referência de avaliação das aplicações financeiras, e assim, a taxa representativa na captação de recursos via fundos de investimentos e CDBs, é natural que os agentes trabalhem para que ela fique mais baixa que a Selic.

Foi assim, que muitas empresas percebendo esta distorção, passaram a emitir debêntures com rendimentos aparentemente muito altos, tipo 120 a 130 por cento do CDI.

O que aparentemente é uma taxa muito alta, na realidade é muito menor que a taxa que estas empresas pagariam para tomar um empréstimo bancário.

Os bancos também captam recursos pela taxa referencial CDI, mas emprestam sempre a juros pré-fixados. Isso para não explicitar o gigantismo do spread bancário.

Imaginem uma taxa de empréstimo pessoal que hoje gira em torno de 7,95% ao mês convertida para o CDI. Seria uma taxa de 150,42% ao ano ou 964,54% do CDI.

* A CETIP S.A. – Balcão Organizado de Ativos e Derivativos é uma sociedade administradora de mercados de balcão organizados, ou seja, de ambientes de negociação e registro de valores mobiliários, títulos públicos e privados de renda fixa e derivativos de balcão. É, na realidade, uma câmara de compensação e liquidação sistemicamente importante, nos termos definidos pela legislação do SPB – Sistema de Pagamentos Brasileiro (Lei 10.214), que efetua a custódia escritural de ativos e contratos, registra operações realizadas no mercado de balcão, processa a liquidação financeira e oferece ao mercado uma Plataforma Eletrônica para a realização de diversos tipos de operações online, tais como leilões e negociação de títulos públicos, privados e valores mobiliários de renda fixa.

 

*As opiniões aqui contidas são pessoais e não representam recomendação de compra ou venda de ativos financeiros. Desta forma, os autores estão isentos de quaisquer responsabilidades sobre as decisões de investimentos tomadas por seus leitores. O Aviso em Dois tem como finalidade a troca de idéias, informações e conhecimentos técnicos com os leitores e participantes do mercado financeiro.

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Economista, pós-graduando em Ciências Sociais e possui especialização em psicologia econômica

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