Naum Alves de Souza

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É muito difícil escrever sobre alguém que foi seu entrevistado durante anos a cada entrevista nasce um laço de amizade. Falo de Naum Alves de Souza falecido neste final de semana. O que transportar para as teclas do computador, o jornalista e ter um distanciamento para biografar ou o amigo que algumas vezes demos muitas risadas nas noites de São Paulo no Gigeto.

 
Podemos ser pragmático e simplesmente burocratizar a sua historia.
De formação religiosa presbiteriana, completou o curso colegial clássico em Lucélia, no interior paulista, e depois cursou apenas um mês numa faculdade paulistana de psicologia. No início dos anos 60, muda-se para São Paulo, onde dá aulas de educação artística e iniciação às artes plásticas para crianças e adolescentes. Mais tarde, por notório saber, deu aulas de cenografia na Escola de Comunicações e Artes da USP(ECA).

grande circo mistico
Em 1972, fundou o grupo teatral Pod Minoga, juntamente com seus alunos Carlos Moreno, Mira Haar, Flávio de Souza, Dionisio Jacob, Beto de Souza, Regina Wilke e Angela Grassi. Este grupo funcionou durante os anos 70, produzindo diversas montagens experimentais. Estreou profissionalmente como cenógrafo e figurinista de El Grande de Coca-Cola, um musical americano dirigido por Luís Sérgio Person no Auditório Augusta, em 1974.

 
Num depoimento mais pessoal começo dizendo que conheci Naum nos 70 quando criou o grupo “Pod Minoga” um grupo experimental de teatro montado com seus alunos Carlos Moreno, Mira Haar, Flávio de Souza e o escritor Dionisio Jacob. Os anos 70 foi palco de grandes experimentos teatrais e cito alguns, “Som Lixo ou Luxo ou Transanossa”, Tigres na Noite e “Gracias Senhor.

Pod Minoga
A característica do grupo e, portanto do Naum eram os bonecos. Era muito engraçados ver Naum criticar seu próprio trabalho com humor. Seu trabalho, reconhecido, fez com que fosse chamado para criar os bonecos Garibaldo e Gugu do Vila Sésamo, foi dele o figurino e o cenário Falso Brilhante de Eliz Regina, cenário de Macunaíma de Antunes Filho, Cenário de El Grande de Coca Cola e principalmente a história do Grande Circo Místico.

 
Naum recebeu um convite para criar num espetáculo para o Balé Teatro Guaiba. Sem muita inspiração Naum foi pesquisando o que poderia oferecer como tema de um espetáculo. Não me lembro se ele já tinha ou recebeu naquele momento uma almofado com a poesia Grande Circo Místico do parnasianista/modernista Jorge de Lima (da obra A Túnica Inconsútil, 1938) que acabou por roteirizar e que o Balé Guaiba convidou Chico Buarque e Edu Lobo pra comporem a musica. O espetáculo foi um sucesso, mas o disco nem tanto e o que torna o disco curioso e que as musicas foram fazendo carreira de sucesso independente do disco. Vamos lembrar: Beatriz, A Historia de Lily Braun e Ciranda da bailarina, musicam gravadas por muita gente.

garibaldo
Se bem me lembro nunca vi Naum estressado nem quando sua gata entrava no cio quando cheirava a sola de sapato de pessoas que chegavam da rua. O incomum se tornava comum na vida de Naum.

Esse é o Naum que conheci.
Naul fala do seu trabalho
Cantata Diário de Anne Frank

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Jornalista cultural, tendo trabalhado nos principais veículos midiáticos nacionais e, durante 15 anos, chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura

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