Gato Barbieri

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Antes de tudo quero justificar a minha ausência nessa coluna, meu computador teve falência múltipla dos órgãos. Rei morto rei posto vamos à coluna de hoje.

Quero escrever sobre Gato Barbieri, saxofonista que faleceu neste final de semana. Barbieri faz parte de uma geração de jazzista argentino antes do advento do que podemos chamar de tango/jazz cujo expoente foi sem duvida Astor Piazzola. È uma geração interessante já que fazem parte dessa geração Lalo Schifrin, autor do tema “Missão Impossível” e do irrepreensível gravação de 1966 “The Dissection and Reconstruction of Music From the Past as Performed By the Inmates of Lalo Schifrin’s Demented Ensemble as a Tribute to the Memory of the Marquis De Sade” e Hector Costita que preferiu o Brasil depois de um tempo estudando em Paris integrou grandes orquestras como, por exemplo, Enrico Simonetti alem de acompanhar artistas como Elis Regina e Wilson Simonal.

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Gato Barbieri é reconhecido musicalmente quando é chamado para compor a trilha sonora do polêmico filme “Tango em Paris”. Diferente de outros saxofonistas tenores como John Coltrane, Paul Desmond, Eric Dolphy e outros tantos, Gato prefere abusar da melancolia. Começa influenciado pelo free jazz e aos poucos vai se aproximando do jazz latino quando então se torna melancólico. Afetado por problemas de saúde e pela morte de sua mulher, Michelle, o músico permaneceu praticamente inativo ao longo de quase toda a década de 1990. Retornou em 1997, tocando no Playboy Jazz Festival de Los Angeles e gravando, desde então, alguns discos. No final de sua vida, menos ativo, Barbieri passou a compor e tocar smooth jazz. Ele grava com Don Cherry, Charlie Haden, jazzistas de primeiro, mas é a partir dos anos 70 e que vai se aproximando do jazz latino.

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Com o sucesso do filme “O ultimo Tango em Paris” graças a sua proibição pela censura dos tempos da ditadura era natural que a curiosidade levasse a querer saber quem era o autor da trilha. Foi então que Gato Barbieri se tornou conhecido por uma geração em que me incluo.

Acompanhando os poucos discos que chegavam desse argentino foi quando me deparei com o disco “Caliente” de 1976 onde grava “Europa” de Carlos Santana. Uma musica que podemos definir como uma estridência melancólica, se é que existe essa definição. Muitos consideraram um pouco pop/jazz. A batida latina da percussão faz a diferença.

É possível ver a influencia de saxofonistas como Sonny Rollins, John Coltrane e Pharoah Sanders e há quem consiga ver nesse disco um pouco do tango argentino numa época em que o jazz fussion dava o tom. Falar de que já foi é melhor destacar um feito que o prestigie e esse disco sem duvido foi um dos mais envolventes de Barbieri.

Vou postar logo abaixo duas interpretações do Europa, uma com o próprio autor Carlos Santana e outra com Gato Barbieri.

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Jornalista cultural, tendo trabalhado nos principais veículos midiáticos nacionais e, durante 15 anos, chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura

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