Fernando Faro

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Triste sina a minha. Quando encontro tempo pra escrever a coluna morre um amigo. Hoje foi Fernando Faro. Conheci Faro no inicio dos anos 70 através do dramaturgo Chico de Assis e ficamos próximos quando fui trabalhar na TV Cultura. Nessa época e estou falando dos anos 80, a TV era um espaço onde reunia figuras interessantes dedicadas a fazer TV. O Faro era uma delas. O que nos unia além de uma provocação aqui e ali era sem duvida a musica. Entre outras coisas que acompanhava profissionalmente como cinema, teatro, a música era uma delas.

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O baxo, como era conhecido por chamar a todos de baxo. Baxo mesmo sem i. Dizem que ganhou esse apelido do Cassio Gabus Mendes. Era curioso ver os artistas, indistintamente de teatro, cinema e musica, quando participavam de algum programa na TV Cultura a pergunta era sempre a mesma: Onde encontro o Baxo? Fernando Faro era uma referencia. Na TV Cultura passou por alguns perrengues como integrar a comissão da direção da TV Cultura que daria a noticia a Clarice sobre a morte do Wladimir Herzog. Uma das suas mais audaciosas produções foi à criação dor programa “Divino Maravilhoso” comandado por Caetano Veloso e Gilberto Gil num momento em o publico bem posto se assustava com as cabeleiras e trejeitos dos baianos. Isso lembrando que estávamos no auge da ditadura.

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Numa relação mais pessoal o que me dava prazer era provocar o baxo pra relembrar o que ele considerava os grandes momentos da televisão. Baxo também provocava e uma das suas maiores provocações foi exibir um videocassete com trompetista de jazz, Chet Baker, tocando “Retrato em Branco e Preto” de Chico Buarque de Holanda. Hoje já é possível encontrar essa apresentação no youtube, mas na época chegou a ser meu objeto de desejo.

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Fernando Faro fez parte de uma geração dos anos 50,60 e 70 que agitou culturalmente São Paulo e prestou muita atenção no que surgia de novo. Foi assim com a bossa nova, com os festivais, tropicália como o novo rock, nada passava impune por ele e nem pelo seu programa ensaio.

De fala mansa Faro ia conquistando as novas gerações que passavam pelo TV Cultura como estagiários.

Faro fazia parte de uma geração que não se pretendia executivos de comunicação e fazer uma boa televisão. Basta lembrar que com ele chegaram a TV Cultura o cineasta Roberto Santos, Eduardo Moreira, Abujanra, Walter George Durst. Uma geração criativa e muito generosa. TV Cultura ainda vive do prestigio dessa geração.

Baxo descanse em paz.

About

Jornalista cultural, tendo trabalhado nos principais veículos midiáticos nacionais e, durante 15 anos, chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura

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