Naná Vasconcelos

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Faleceu Naná Vasconcelos faleceu agora de manha desta quarta-feira Hospital da Unimed, no Recife. Essa noticia percorreu os jornais de rádio e televisão e alguns blogs. A pergunta que fica é alguém sabe quem Naná Vasconcelos?
É difícil em algumas linhas demonstrar quem é Naná Vasconcelos e sua importância. Começo pelo reconhecimento mundial de seu talento. Eleito oito vezes o melhor percussionista do mundo pela revista americana especializada jazz a Down Beat e ganhador de oito prêmios Grammy, oito anos consecutivos (1983-1990), era considerado uma autoridade mundial em percussão. A Down Beat elege a cada ano com votos de conhecedores de jazz, críticos, jornalistas e jazzófilos os melhores do ano em cada categoria como melhor disco, melhor pianista, melhor baterista assim por diante. Com o impacto da musica do Naná a revista teve de criar a categoria de percussionista. Não que não houvesse percussionista atuando no jazz, basta lembrar-se de Tito Puente que faz jazz latino e toca tumbadoras com baquetas.

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Durante toda sua carreira sempre teve preferência por instrumentos de percussão e nos anos 60 se notabilizou por seu talento com o berimbau. E mais tarde usa o corpo e a voz como instrumento. Ele troca instrumentos para percutir o próprio corpo.

Em 1967 mudou-se para o Rio de Janeiro onde gravou dois LPs com Milton Nascimento. No ano seguinte, junto com Geraldo Azevedo, viajou para São Paulo para participar do Quarteto Livre, que acompanhou Geraldo Vandré no III Festival Internacional da Canção.

Além disso, Naná tem uma extensa carreira no exterior: atuou como percussionista ao lado de diversos nomes de peso como B. B. King, Jean-Luc Ponty, David Byrne, Jon Hassell, Egberto Gismonti, Pat Metheny, Evelyn Glennie e Jan Garbarek. Formou entre os anos de 1978 e 1982, ao lado de Don Cherry e Collin Walcott, o grupo de jazz Codona, com o qual lançou 3 álbuns. Em 1981, tocou no Woodstock Jazz Festival, em comemoração ao décimo aniversário do Creative Music Studio. Em 1998, Vasconcelos contribuiu com a música “Luz de Candeeiro” para o álbum “Onda Sonora: Red Hot + Lisbon”, compilação beneficente em prol do combate à AIDS, produzida pela Red Hot Organization.

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Em 2013, o músico fez a trilha sonora da animação O Menino e o Mundo, que disputou o Oscar de melhor filme de animação em 2016.

No dia 9 de dezembro de 2015, Naná Vasconcelos recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

Um dos grandes momentos de sua carreira foi sem duvida o disco feito com Egberto Gismonti em 1977, Dança das Cabeças. Um disco que fez cabeça, desculpa o trocadilho, de muitos jovens e que a gravadora não acreditou que vendesse. Surpresa, o disco foi um dos mais vendidos do ano. No Dança das Cabeças Egberto Gismonti toca 8-string guitarra, piano, Wood flutes, voz e Nana Vasconcelos percussão, berimbau, corpo, voz.

Naná não foi um grande musico foi também um revelador de talentos, quando assumiu a direção musica do PercPan – festival de Percussão em Salvador em 1986 ao lado de Gilbereto Gil. Convidou Nzamba Lela Pigmeus Aka, orquestra de pandeiros, três irmãs ceguinhas que tocam com ganzá e cantam nas esquinas de Campina Grande grupo infantil Flor do Mangue, Ele não tinha preconceito o que valia era a originalidade.

Esse é Nana Vasconcelos que pouca gente conhece.

https://www.youtube.com/watch?v=XG1NmFxrrw8

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Jornalista cultural, tendo trabalhado nos principais veículos midiáticos nacionais e, durante 15 anos, chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura

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