Aviso Semanal – 11

semanal

A semana: Aquilo que poderia ser uma surpresa por parte dos formuladores de política monetária do Banco Central Americano (FED) um aumento na taxa de juros sinalizando que a economia já reunia condições de retomar a chamada normalidade financeira na reunião da semana passada, teve de fato uma surpresa reversa, de forma um tanto inédita o anuncio de manutenção da taxa de juros foi complementado por uma comunicação fortemente dovish (uma ação amena, não agressiva) que surpreendeu a todos em suas projeções futuras. As previsões de dezembro que estimavam quatro aumentos de juros em 2016 passaram a considerar somente dois.
Na coletiva de imprensa que se seguiu, a presidente do FED Janet Yellen deu a seguinte avaliação quando questionada se a inflação já não estaria dando sinais de aceleração: “Dado que a economia está agora perto de nosso objetivo de máximo emprego, esperamos que a inflação esteja subindo”, e completou. “Como você menciona, leituras recentes sobre a inflação subiram, mas pode haver alguns fatores transitórios que a estão influenciando”.
Ao mencionar a forte correlação dos preços nos ativos globais ela complementou dizendo que, declínios transitórios nos preços do petróleo e o fortalecimento de uma só vez do dólar empurraram o índice de preços PCE muito abaixo da meta do FED, assim como os aumentos transitórios em outros preços agora estão empurrando o índice de preços para cima. Mas Yellen não acredita que vá durar, em ambos os casos. Os preços do petróleo e do dólar vão se estabilizar, e os transitórios aumentos de preços visto ao longo dos últimos meses também irão desaparecer.
O que se viu após o anuncio foi um recuo forte nas taxas de juros dos títulos americanos, forte queda do dólar frente a outras moedas e uma continuidade na valorização das bolsas e do petróleo.
Como bem analisado pelo Richard em seu texto O Brasil não é uma Ilha isolada, o mercado brasileiro reagiu na mesma proporção dos efeitos contrários observados na alta do dólar pelo mundo, na queda das commodities e em especial do petróleo. Bolsa em forte alta e dólar em forte queda.

Juros: Como já vínhamos percebendo, os indicadores de inflação continuam apontando um arrefecimento, a queda do dólar frente ao real e a atividade econômica ainda bastante deprimida apontam para uma redução na taxa básica de juros para breve.
Expectativas para a semana: Continuidade de redução em toda a curva de juros, em especial nos prazos mais longos.

Câmbio: Os comentários incisivos da presidente do FED, Janete Yellen, em relação ao dólar americano forte e a sinalização que os juros irão subir somente quando a inflação nos EUA caminharem de fato para meta de 2% ao ano, nos mostra que a alta da moeda norte americana irá perder a força de valorização observada nos últimos meses. O informe do Banco Central do Brasil da ultima sexta feira de que estará realizando operações de swap cambial reverso (equivalente à compra de dólar Futuro) é um entendimento por parte da autoridade monetária brasileira de que a valorização do real gente ao dólar deve ser mais duradoura.
Expectativa para a semana: Fechar a semana encurtada pelo feriado entre R$ 3,50/3,60

Bolsa de Valores: Altamente beneficiada pelo contexto econômico global que se modificou inicialmente com as derramas de recursos por parte de vários principais bancos centrais do mundo, pela recente supervalorização de commodities como o minério de ferro e petróleo nos mercados internacionais, pela queda do dólar e finalmente pela decisão do FED da última quarta feira, assim como foi uma das bolsas que mais recuou com este cenário desfavorável, hoje é uma das que mais se beneficiam com essa reversão recente de expectativas. Assim mesmo com correções técnicas que possa vir a acontecer o caminho de alta se tornou inexorável.
Expectativa para a semana: Continuidade da valorização, fechando a semana em 51.000/52.000

 
“No mundo dos negócios todos são pagos em duas moedas: dinheiro e experiência. Agarre a experiência primeiro, o dinheiro virá depois.” Harold Geneev

 

*As opiniões aqui contidas são pessoais e não representam recomendação de compra ou venda de ativos financeiros. Desta forma, os autores estão isentos de quaisquer responsabilidades sobre as decisões de investimentos tomadas por seus leitores.
O Aviso em Dois tem como finalidade a troca de ideias, informações e conhecimentos técnicos com os leitores e participantes do mercado financeiro.

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Economista e Palestrante. CEO do Portal Aviso em Dois e do Projeto Arrisque

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