Aviso Semanal – 09

semanal

A semana: A semana se iniciou com um importante debate sobre se as evidências recentes de aumentos de preços (inflação) nos EUA são suficientes fortes para uma retomada na subida de taxas de juros por parte do FED. Enquanto o vice-presidente do FED Stanley Fischer no dia de ontem afirmou que os dados econômicos apontam os primeiros sinais de inflação, Lael Brainard do Conselho de Governadores do Sistema da Reserva Federal se contrapôs a fala de Fischer afirmando que ainda não existem evidências suficientes que apontem uma retomada nos preços.
Enquanto nos EUA nem mesmo a autoridade maior, FED, estabelece um consenso sobre os juros as taxas continuam recuando nos principais países, com o Japão chegando a atingir a marca história de rendimento negativo (-0,07%) em seus títulos de 10 anos.
Como vê alertando esta coluna semanal essa nova derrama de dinheiro pelo mundo iria trazer não só a queda nas taxas de juros como uma procura maior por commodities.
No Brasil, como era de se esperar, a imensa maioria dos analistas que não se deram conta de mudanças fundamentais de cenário, recorreram a uma justificativa política e não econômica para como remissão de seus pecados.

 
Juros: O termino nos principais ajustes de preços por contratos que carregavam índices passados de inflação já está evidenciada nos principais indicadores de inflação que vem sendo apresentados, com tendência de quedas maiores a partir do mês de abril. Beneficiadas também pela queda do dólar frente ao real as taxas futuras de juros entraram no ritmo natural de queda.
Expectativas para a semana: Continuidade de redução em toda a curva de juros, em especial nos prazos mais longos.

 
Câmbio: Ajuste rápido do déficit externo, balança comercial com saldos positivos crescentes, taxas de juros internacionais e retomada de preços de commodities, destaque para o petróleo e aço, empurraram de vez a cotação da moeda americana para patamares mais baixos. Movimento que deve continuar a não ser que por razões que possam prejudicar o ajuste externo o BC atue no sentido de conter a queda ou de um acirramento político/social imponderável que desestabilize de vez a economia. O dólar índex (índice que mede a variação de uma cesta de moedas em relação ao dólar americano) continua recuando.
Expectativa para a semana: Recuo durante a semana para fechar entre R$ 3,75/3,80

 
Bolsa de Valores: O rally no preço das duas principais commodities para a bolsa, petróleo e aço, vinculadas a duas ações de fundamental importância no índice Bovespa, Petrobrás e Vale do Rio Doce, estão impulsionando não só as cotações muito deprimidas destes dois papéis como naturalmente arrastando outras ações para o movimento de alta.
Importante observar que não se trata de um ajuste local. Algumas ações do setor do aço no mercado internacional estão sendo valorizadas na mesma proporção que as da Vale do Rio Doce. No setor de petróleo tivemos papéis de empresas americanas como a Chesapeake Energy Corporation que em 15 dias já praticamente dobraram de preço. Junte-se a isso o anuncio pela China de que as importações de petróleo, minério de ferro e cobre terem subido na comparação anual de fevereiro.
Expectativa para a semana: Uma correção técnica natura deve trazer o índice para fechar a semana em 47.500/48.500

 
“Voltar atrás é melhor que perder-se no caminho.” Sentença russa

 
*As opiniões aqui contidas são pessoais e não representam recomendação de compra ou venda de ativos financeiros. Desta forma, os autores estão isentos de quaisquer responsabilidades sobre as decisões de investimentos tomadas por seus leitores.
O Aviso em Dois tem como finalidade a troca de ideias, informações e conhecimentos técnicos com os leitores e participantes do mercado financeiro.

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Economista e Palestrante. CEO do Portal Aviso em Dois e do Projeto Arrisque

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