Umberto Eco

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Nunca tive a chance de entrevistar Umberto Eco e nunca assisti a uma palestra, mas posso afirmar que esteve muito próximo de mim e minha geração. Ele surgia como uma novidade no campo do conhecimento ao lançar em 1962 “Obra Aberta” que reúne uma coletânea de ensaios a respeito das formas de indeterminação das poéticas contemporâneas, tanto em literatura, como em artes plásticas e música. Era um mundo em transformação onde a arte rompia com os cânones mais tradicionais. No Brasil Ligia Clark criava as esculturas que permitia varias possibilidades de formas. Helio Oiticica criava os “parangolés”, algo parecido com abadás, que permitia que a arte fosse vestida, sentida, a outra novidade arte cinética que explora efeitos visuais por meio de movimentos físicos ou ilusão de óptica ou truques de posicionamento, e surgia na Europa o “nouveau Roman” uma proposta que rompia com a linearidade da narrativa tanto na literatura quando do cinema. O próprio Umberto Eco participou de alguns movimentos.

Outra obra importante é “Apocalípticos e Integrados” de 1963 é uma das principais obras de semiótica na qual ele reúne uma série de ensaios a respeito da questão da cultura de massas na era tecnológica.

Essa observação sobre um mundo que se transformava propunha um novo jeito de entendimento.

O curioso é que embora antenado nas mudanças do mundo dedicou a conhecer a idade média, um medievalista respeitado. Seu conhecimento era tanto que produziu no inicio dos anos 80 um sofisticado romance policial, “O Nome da Rosa”. As referencias de personagens e instituição da idade média fazia com que muitos abandonassem a leitura, mas quem buscava entender o mundo medieval ficava maravilhado com quanta coisa que desconhecia.

Os verbetes de dicionários ou enciclopédias não fazem jus a Umberto Eco. São burocráticos e definem como: Umberto Eco foi um escritor, filósofo, semiólogo, lingüista e bibliófilo italiano de fama internacional. Foi titular da cadeira de Semiótica e diretor da Escola Superior de ciências humanas na Universidade de Bolonha.

Num mundo onde as grandes pesquisas estão voltadas para tecnologia e para a biologia Eco fará falta para pensar o humanismo.

Frases de Umberto Eco
A leitura é uma necessidade biológica da espécie. Nenhum ecrã e nenhuma tecnologia conseguirão suprimir a necessidade de leitura tradicional.

Verdade
Nem todas as verdades são para todos os ouvidos.

O Nome da Rosa

Livro
O mundo está cheio de livros fantásticos que ninguém lê.

Tolerância
Para ser tolerante, é preciso fixar os limites do intolerável.

Poesia
Eu definiria o efeito poético como a capacidade que um texto oferece de continuar a gerar diferentes leituras, sem nunca se consumir de todo.

Nascimento
As pessoas nascem sempre sob o signo errado, e estar no mundo de forma digna significa corrigir dia a dia o próprio horóscopo.

O Pêndulo de Foucault

Arte
A arte só oferece alternativas a quem não está prisioneiro dos meios de comunicação de massas.

Medo
É sempre melhor que quem nos incute medo tenha mais medo do que nós.

O Nome da Rosa

Verdade
Temei os profetas e aqueles que estão dispostos a morrer pela verdade, pois, em geral, farão morrer muitos outros juntamente com eles, freqüentemente antes deles, por vezes no lugar deles.

Heroísmo
O verdadeiro herói é sempre herói por engano; sonhou ser um cobarde honesto como todos os outros.
https://www.youtube.com/watch?v=nru8LyIOAVQ

 

 

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Jornalista cultural, tendo trabalhado nos principais veículos midiáticos nacionais e, durante 15 anos, chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura

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