Reflexão sobre o Oscar

Fiquei surpreso ao saber que “Spotlight – Segredos Revelados” ganhou como melhor filme. O filme foge um pouco do que a indústria americana de cinema gosta de premiar. “O regresso” está dentro dos padrões do gosto dessa indústria. Se “Spotlight” narra uma história real, o drama de um grupo de jornalistas em Boston que reúne milhares de documentos capazes de provar diversos casos de abuso de crianças, causados por padres católicos que e os líderes religiosos ocultaram o caso “O regresso” se passa em 1822 onde Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) parte para o oeste americano disposto a ganhar dinheiro caçando. Atacado por um urso,fica seriamente ferido e é abandonado à própria sorte pelo parceiro John Fitzgerald (Tom Hardy), que ainda rouba seus pertences. Entretanto, mesmo com toda adversidade, Glass consegue sobreviver e inicia uma árdua jornada em busca de vingança.

“O Regresso” tem aventura, traição e invoca o espírito dos pioneiros americanos bem a gosto do estilo de vida americano. “O Spotlight” toca num assunto delicado, o abuso de crianças por padres católicos. Um tema indigesto para se falar publicamente.

É possível pensar que o diretor do “O Regresso” do diretor Alejandro González Iñárritu, tenha sido preterido por ser estrangeiro. Bobagem. Seus trabalharam já o consolidaram como diretor em Hollywood. Lembremos de alguns Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (2014), Biutiful (2010), Babel (2006) e 21 Gramas (2003).

RegressoCapa
Para entender o ocorrido, a surpresa, é possível contextualizar observando o que se passa hoje nos EUA.

O ultra conservadorismo que pode ser expresso na figura do Donald Tramp que enaltece o modo de vida americano e propõe um muro pra separar do México para que não desestabilize o modo de vida americano. Já a visão mais humana que luta contra as injustiças que pode estar representado na figura de Bernie Sanders.

Hollywood por produzir cultura de massa sempre sofreu interferência de tempos em tempos de um conservadorismo moral e político. Proibiu que as coxas da Jane (Maureen O’Sullivan) ficassem a mostra, os seios de Teda Bara.

Chaplin com seu filme “Tempos Modernos” foi tachado de comunista e se exilou na Inglaterra. Veio à guerra fria e os diretores, atores e roteiristas de cinema foram perseguidos pelo macarthismo por traduzir na tela as injustiças e a desigualdade social.

O cinema americano tem dado exemplo de como enfrentar esse conservadorismo. Filmes recentes como “Selma” que conta a história da briga pelos direitos civis pelos negros e o surgimento do reverendo Martin Luther King e agora mais recente “Dalton Trumbo – Lista Negra” que narra a historia do roteirista Dalton Trumbo que incluído na lista negra do macarthismo e não pode mais trabalhar.

São cicatrizes que marca os que integram a indústria americana de cinema que os faz lembrar os tempos negros que não devem voltar nunca mais.

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Jornalista cultural, tendo trabalhado nos principais veículos midiáticos nacionais e, durante 15 anos, chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura

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