Aviso Semanal – 30

semanal

A semana: Em uma semana encurtada pelo Natal mercados continuam avaliando a caminhada do FED no aumento de sua taxa básica de juros, a expectativa agora se concentra em como este irá gerenciar seu balanço e sua carteira de títulos daqui para frente, até o momento as taxas subiram sem o uso de operações de mercado aberto e sem a redução da liquidez no sistema bancário que seja compatível com o aumento da taxa de juros. Resumindo, por enquanto a taxa subiu, porém o mercado continua com todo o recurso injetado no pós-crise e as perspectivas de curto prazo sugerem que dificilmente alguma atitude será tomada até o ano se findar.
No cenário Brasil a troca do Ministro da Fazenda Joaquim Levy por Nelson Barbosa não deve provocar nenhum stress de curto prazo já que a saída de Levy era esperada há bastante tempo, seu desgaste junto ao congresso na aprovação das medidas de ajuste enquanto o aperto monetário vai se prolongando só vem piorando o cenário econômico. A crise política impediu a implementação de medidas necessárias a retomada do crescimento no médio prazo e acabou provocando desgaste nos projetos de Levy e provocaria em quem estivesse ocupando o cargo, assim a mudança acabou sendo um processo natural onde a política interfere e impede o país de progredir economicamente.

Juros: A substituição no ministério da fazenda deve provocar mudanças nesse projeto suicida do Banco Central de altas taxas de juros com o país em recessão. Desta forma não faz sentido as taxas continuarem nesse patamar que se encontram hoje.
Expectativa para a semana: Subida das taxas no curto prazo com recuo posterior quando se derem conta que Nelson Barbosa tem no bojo de suas propostas a redução da taxa básica.

Câmbio: A brutal desvalorização recente do real frente ao dólar está permitindo o ajuste das contas externas numa velocidade espantosa, o estupendo nível de reservas internacionais brasileiras não sugerem que as desvalorizações continuem muito além do patamar atual.
Neste final de semana foi divulgado um dado relevante, entre os grandes emergentes só Brasil e Índia não usaram de suas reservas, no mais todos os outros, África do Sul, Arábia Saudita, China, Indonésia, México, Rússia e Turquia, usaram parte de suas reservas em dólares neste ano, no total foram usadas US$ 290,5 bi em sete meses.
Depois de um ajuste brutal como essa subida na cotação de R$ 2,70 para R$ 3,90 a volatilidade e incerteza na cotação acabam deteriorando as expectativas inflacionárias e de crescimento permanentes, prejudicando qualquer tentativa de ajuste e exigindo do Banco central atitudes mais proativas no equilíbrio e estabilidade da cotação.
Expectativa para a semana: Assim como nos juros a subida de curto prazo não representa uma tendência de desvalorização continuada. Fechamento para a semana R$ 3,85/3,95

Bolsa de Valores: Os preços das empresas brasileiras cotados em bolsa nunca estiveram em níveis tão baratos, alguns fatores pontuais como problemas na Petrobrás, Vale do Rio Doce e BTG Pactual, papéis com grande relevância na Bovespa estão impedindo, no curto prazo, uma retomada mais firme.
Os recentes rebaixamentos na nota soberana do Brasil e em vários papéis importantes foram digeridos pelo mercado há bastante tempo não abrindo caminho maior para quedas.
Expectativa para a semana: 44.500/45.500

“O que é certo, nem sempre é popular e o que é popular, nem sempre é certo.” Albert Einstein

*As opiniões aqui contidas são pessoais e não representam recomendação de compra ou venda de ativos financeiros. Desta forma, os autores estão isentos de quaisquer responsabilidades sobre as decisões de investimentos tomadas por seus leitores.
O Aviso em Dois tem como finalidade a troca de ideias, informações e conhecimentos técnicos com os leitores e participantes do mercado financeiro.

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Economista e Palestrante. CEO do Portal Aviso em Dois e do Projeto Arrisque

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