Algumas perspectivas para o Brasil e o mundo

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O cenário base segue se desenhando:

(1) US DOLLAR INDEX
Essa é a variável chave do mundo!
O dólar valorizado já tem prejudicado o lucro das empresas americanas, e a cada dia se torna uma ameaça ao crescimento econômico.

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Historicamente após o início de um aperto monetário, o dólar costuma subir por um curto período de tempo (último suspiro), antes de engatar uma tendência de queda.
A desvalorização do dólar impulsiona commodities e os mercados emergentes mais dependentes delas.

(2) COMMODITIES
Índice de commodities (CRB Reuters) está no patamar mais baixo dos últimos 40 anos.
As sementes para o futuro descompasso entre oferta e demandas já estão plantados.
Os preços se aproximaram novamente do custo médio dos produtores mais eficientes (boa métrica de valuation para commodities).
Em breve veremos uma redução brusca da oferta, acompanhada do aumento da demanda.
As forças deflacionárias (principalmente derivadas da queda das commodities) vão manter (ou até mesmo ampliar) os programas de estímulos dos principais Bancos Centrais do mundo, e manter as taxas de juros em patamares baixos por um tempo (isso não quer dizer que EUA não iniciem o seu aperto monetário em breve, mas que não irão muito longe com ele).

(3) CHINA
A economia está se estabilizando, e a migração para uma economia de serviços em estágio avançado.
Os indicadores anteriormente utilizados para medir o pulso da economia chinesa tendem a perder eficácia, já que funcionavam para uma economia industrial (como o indicador antecedente de consumo de energia, por exemplo).

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A entrada do YUAN na cesta de moeda do FMI é um evento muito relevante, assim como a troca de reservas de títulos americanos por ouro.
A forma de analisar a China mudou. Poucos estão compreendendo o plano de longo prazo em curso.

(4) BRASIL
Ajuste Externo em estágio avançado. As contas externas vão surpreender positivamente ainda mais em 2016.
Os ativos e o valor das empresas no Brasil estão mais do que depreciados, o que tem aberto rodadas de fusões e aquisições por parte dos estrangeiros.
Com a economia em recessão há anos, as margens de lucros estão historicamente muito baixas, o que distorce as análises pelas métricas tradicionais.

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Compra barato, quem compra neste tipo de situação, e vende com as margens acima da média histórica e valuation altíssimo.
Conforme exposto nos tópicos anteriores, bons ventos externos se aproximam do país nos próximos anos (obviamente a melhora no país será condicionada a alguém e não a um fator externo).
O ajuste interno que poderia ser mais ameno, foi emperrado pela crise política, que também impediu avanços no debate de um ajuste estrutural, mas o acolhimento do impeachment agora força uma resolução em breve.
Um fato novo interessante é a facilitação da cobrança da dívida ativa da união, hoje em R$ 1 trilhão de reais, e que pode ser uma das saídas para evitar parcialmente (ou totalmente) aumento de impostos.
As pautas do ajuste estrutural são as mais variadas, desde controles institucionais para o gasto público, limite da dívida pública, reforma na previdência, um novo sistema tributário, a desindexação da economia, o fim do overnight na política monetária, etc.
Enfim, assuntos que interessam ao país e não a determinado grupo político.

About

Economista e mestre em Psicologia da Educação pela PUC-SP, MBA em Gestão Financeira, Investimentos e Mercado de Capitais pela FGV. É também palestrante e Professor de Economia e Finanças

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