Trotsky no Exílio

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Nesse sábado que passou foi a última leitura do texto teatral Trotsky no Exílio de Peter Weiss encerrando praticamente as atividades da Casa do Saber. Durante o ano foram feitas leituras de grandes textos teatrais.

O autor, Peter Weiss, lido sábado teve outros dois textos montados em São Paulo, “O Interrogatório” e “A Perseguição e Assassinato de Jean-Paul Marat Encenado Pelos Internos do Hospício de Charenton sob Direção do Senhor de Sade” mais conhecido por Marat/Sade.

O “Interrogatório” foi encenado no Teatro São Pedro sob direção de Celso Nunes, estreou em março de 1971 e recebeu diversos prêmios, entre eles dois Moliére. A atuação mais impressionante dessa montagem foi sem duvida do Abrahão Farc.

O texto de Peter Weiss conta a história do processo instaurado na cidade de Frankfurt, na Alemanha, com relatos fiéis extraídos do próprio processo, para julgar os culpados pelo massacre de Auschwitz. Foi escrito em 1965, após o autor ter acompanhado, como observador anônimo, todo o julgamento dos criminosos de guerra.

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Marat/ Sade – “A Perseguição e Assassinato de Jean-Paul Marat Encenado Pelos Internos do Hospício de Charenton sob Direção do Senhor de Sade” foi apresentado no Teatro Bela Vista, na cidade de São Paulo, em 1967, “Marat-Sade” utiliza a metalinguagem ao mostrar uma peça na qual os loucos de um sanatório são os atores, dirigidos pelo Marquês de Sade, que dramatiza o assassinato de Jean-Paul Marat, um dos líderes da Revolução Francesa. “Marat Sade”, de Peter Weiss foi dirigido por Ademar Guerra.

A leitura dramática do texto “Trotsky no Exílio” foi dirigida por Oswaldo Mendes, o texto de Peter Weiss retoma a trajetória do intelectual russo até o dia de seu assassinato. A história do texto é curiosa. O cineasta Luís Sérgio Person traduziu esse texto para encenar no seu teatro, o Teatro Augusta. Com a adaptação pronta chamou Oswaldo Mendes para montar e faltou a coragem de por de pé um texto sobre um herói da revolução russa na vigente ditadura. E o texto foi guardado e agora surgiu a chance de criar vida e foi o que aconteceu nesses dias na Casa do Saber.

O que interessante no texto é que assim como no “O interrogatório” Peter é fiel aos fatos, pelo menos até onde pode pesquisar.

Embora uma simples leitura encenada por um caminhar simples pelo pequeno palco e apoiado por uma trilha sonora foi fácil perceber a força do texto Estão ali questões que militantes de esquerda ainda debatem; a ideia de ditadura do proletariado, a ideia de partido, e o que fazer. Outra face pouco conhecida do Trotsky é a sua ligação com Breton, criador do surrealismo, quando juntos escreveram o Manifesto apelando por uma arte revolucionária. E assim tempos bicudos onde a arte é vendida como sabão uma arte revolucionária sempre se apresenta como necessária. E Trotsky tinha razão.

Elenco:
1. Ailton Graça (ator) – Parvus
2. Alípio Freire (jornalista) – Kamenev
3. André Falcão (ator) – Médico
4. Antonio Fagundes (ator) – Trotski
5. Antonio Marcus (jornalista/radialista) – Narrador
6. Antonio Petrin (ator) – Deutsch
7. Bárbara Abramo (jornalista) – Safonova
8. Carlos Meceni (ator) – Shiliapnikov
9. Carlos Palma (ator) – Promotor
10. Cida Moreira (cantora e atriz) – Emmy Hemmings
11. Danilo Santos de Miranda (sociólogo / diretor regional do Sesc) – Martov
12. Eduardo Tolentino (diretor de teatro) – Diego Rivera
13. Florestan Fernandes Jr (jornalista) – Prisioneiro / Anônimo
14. Graça Berman (atriz) – Alexandra Kollontai
15. Haroldo Ferrari (ator) – Blumkin
16. Ivo Müller (ator) – Frank Jacson
17. Jairo Mattos (ator) – Josef Stalin
18. Jefferson Del Rios (jornalista / crítico de teatro) – Rakovski
19. Jhe Oliveira (ator) – Leon (Liova) Sedov
20. José Álvaro Moisés (cientista político) – André Breton
21. Kil Abreu (crítico de teatro/curador Centro Cultural São Paulo) – Estudante
22. Lauro César Muniz (dramaturgo) – Plekhanov
23. Lígia Cortez (atriz) – Sokolovskaya
24. Luiz Amorim (ator) – Coronel Salazar
25. Márcio Boaro (ator) – Oficial 1/ Soldado 1
26. Marco Antonio Rodrigues (diretor de teatro) – Dzerzhinski
27. Maria Fernanda Cândido (atriz) – Estudante
28. Miguel Langone Jr (ator / advogado) – Oficial 2
29. Mika Lins (atriz) – Zinaida
30. Mônica Bérgamo (jornalista) – Inessa Armand
31. Ninho Moraes (jornalista / professor da Cásper Líbero) – Bukharin
32. Oswaldo Mendes (ator) – Lenin
33. Otavio Frias Filho (dramaturgo/jornalista) – Tristan Tzara
34. Paulo Markun (jornalista / escritor) – Joseph Hansen
35. Pedro Venceslau (jornalista) – Estudante
36. Ricardo Dantas (ator) – Zinoviev/ Soldado
37. Rodolpho Gamberini (jornalista) – Piatakov
38. Roberto Ascar (advogado/ator) – Akimov
39. Rubens Velloso (diretor de teatro) – Hugo Ball
40. Rudifran A. Pompeu (ator/presidente da Cooperativa de Teatro) – Padre Gapon
41. Selma Luchesi (atriz) – Natália
42. Silvia Camossa (atriz/escritora) – coringa
43. Tadeu Souza (ator/músico, representante da Funarte-SP) – Prisioneiro e Anônimo
44. Tin Urbinatti (ator) – Smirnov
45. Tuna Dwek (atriz) – Estudante
46. Ugo Giorgetti (cineasta) – Mrachkovski
47. Vera Kowalska (atriz) – Anna Blume
48. Vladimir Sacchetta (jornalista/produtor cultural) – Prisioneiro
49. Walter Breda (ator) – Radek
50. Wanderley Costa Lima (advogado/ professor de Direito) – Arkadi Kremer
51. Guilherme Peres – sonoplastia e produção

 
Trotsky no Exílio. Maria Fernanda Candido e Oswaldo Mendes
https://www.youtube.com/watch?v=tkkf2yzXK5c

 

About

Jornalista cultural, tendo trabalhado nos principais veículos midiáticos nacionais e, durante 15 anos, chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura

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