Semana da consciência negra

Entramos no segundo dia da semana da consciência negra cuja abertura aconteceu em todo Brasil e em especial na capital paulista onde deram inicio a debates, shows.

A semana da consciência negra propõe algumas reflexões. Uma por parte dos negros que cada vez mais sentem orgulho de sua origem e lutam por mais espaço na sociedade. E a reflexão por parte dos brancos que devem reconhecer que sem a cultura afro o mundo serie uma chatice.

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Explico melhor. A cultura africana é pela tradição oral onde o conhecimento passado de geração a geração através da fala. Não sei se no passado aquela imagem das avós e dos escravos mais velhos contarem histórias para as crianças está ligado diretamente a essa tradição. Lembro aqui o filme de Walt Disney a Canção do Sul onde o velho escravo Tio Remus conta historia da raposa e do coelho para um casal de crianças pertencentes à casa grande. O filme foi considerado racista na época do seu lançamento. Se a cultura portuguesa tem essa tradição oral com certeza ficou mais forte com a convivência da cultura africana. E a tradição oral das historias criou um laço de afeto entre quem contava e quem ouvia.

O batuque é sem duvida um dos traços culturais marcantes da cultura africana e isso nos liberou da chatice.

O século 20 inicia com a musica europeia trancada na pauta. O musico tinha de respeitar o que estava escrito na pauta e isso de alguma maneira limitava a criatividade.

A diáspora africana cujo destino era a escravidão nas plantações da Américas propiciou um frescor para musica europeia da época.

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História social do jazz do historiador Eric J. Hobsbawm destaca que o jazz atua como protesto social, o jazz como afirmação contra a opressão política da classe dominante e que só foi possível por nascer num estado de colonização católica, o estado da Luisiana.

Inicialmente, a Luisiana era uma província colonial francesa, tendo passado para o domínio espanhol em 1763, e voltado novamente para o domínio francês em 1800. Em 31 de outubro de 1803, os Estados Unidos compraram oficialmente o território de Luisiana, elevando-o à categoria de Estado em 30 de abril de 1812.

A diferença entre uma colonização anglo saxã da católica foi o que permitiu o surgimento do jazz. Enquanto os colonos católicos queriam somente a mão de obra negra deixando que na senzala praticassem sua cultura o protestante anglo saxão, além da mão de obra queria também a alma. Queriam converter aqueles negros considerados ímpios e sem cultura.

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Acho que esse raciocínio pode ser utilizado pra explicar outras manifestações africanas do continente americano principalmente o chorinho e o samba. O improviso e a sincope deram esse frescor a musica europeia. Stravinsky e Gerswin foram os que melhor trabalharam essa influencia.

Não podemos esquecer o colorido das roupas tão presentes na vestimenta africana permitiu que o cinza, o negro enfim os tons escuros dos europeus saíssem da moda.

Há uma explicação do porque o romano ao conquistar a Grécia assumiu a cultura grega. Alguns historiadores entendem que a cultura grega era tão sofisticada que não desapareceu foi assimilada. Acho que podemos transpor essa análise e é fácil perceber hoje a quantidade de brancos que frequentam pais de santo.

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Jornalista cultural, tendo trabalhado nos principais veículos midiáticos nacionais e, durante 15 anos, chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura

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