O Julgamento do Macaco

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O acaso sempre nos surpreende. Assisti nesses dia o filme “Inherit the Wind (“ O Vento Será Tua Herança”) uma adaptação para o cinema da peça do mesmo nome de Jerome Lawrence e Robert Edwin Lee.

Inherit the Wind é uma parábola que ficcionaliza um caso real ocorrido em 1925, Scopes “Monkey” Trial (“O Julgamento do Macaco”), como um meio de discutir o então vigente macartismo. J. Lawrence e Robert E. Lee escreveram a história em 1951. Foi refilmado em 1965, 1988 e 1999.

Eis a história: Ocorre um julgamento em 1925, no estado norte-americano do Tennessee, em que um professor, Bertram T. Cates, é acusado de desrespeitar uma lei estadual que proíbe o ensino do Darwinismo em escolas públicas. “Monkey Trial” (O Julgamento do Macaco), como ficou conhecido, teve repercussão mundial, mediante uma batalha travada entre os advogados de acusação e a defesa, que foi impedida pelo juiz de apresentar cientistas como testemunhas em favor da teoria da evolução. O julgamento durou 11 dias e foi o primeiro a ser transmitido pelo rádio.

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Por que esse filme é tão atual? O filme coloca em debate o fanatismo religioso versus o desenvolvimento cientifico. Esse fanatismo que vemos os evangélicos apregoarem em seus púlpitos e transformar esses fanatismos em lei. Os exemplos são muitos desde tolher a mulher que seus direitos até atacar os homossexuais e os negros. Tanto no filme como na vida real é a luta do obscurantismo contra os avanços sociais seja na ciência como nos direitos humanos. Aquela idéia de que a religião humaniza já não existe mais, hoje é um exercício de poder. Os argumentos são praticamente os mesmos utilizados na santa inquisição contra Galileu, Abelardo. A heresia contra a palavra de Deus. Hoje muitas universidades americanas aboliram a teoria Darwiniana e em alguns documentários o argumento é o mais absurdo. Argumenta um desses estudiosos da Bíblia –“Se o homem foi feito a imagem de Deus não pode ter vindo do macaco. Deus não se parece com macaco, isso é um desrespeito a imagem do criador”.

E assim em troca de uma segura em meio a uma crise mundial nada como se apegar a Deus na esperança de que se resolva. Algumas coincidências são rapidamente consideradas como um sinal de Deus ou dos Anjos.

Convém lembrar o filosofo Ludwig Feuerbach que afirmava que o homem transferiu, ao criar Deus, tudo o seu potencial de melhor e de pior.

Nos tempos bicudos que vivemos nada como um filme para nos fazer pensar criticamente contra o obscurantismo.

Quando ao filme vale a pena assistir pela atuação de
•Spencer Tracy … Henry Drummond
•Fredric March … Matthew Harrison Brady
•Gene Kelly … E. K. Hornbeck of the Baltimore Herald
•Dick York … Bertram T. Cates
•Donna Anderson … Rachel Brown
•Harry Morgan … Juiz Mel Coffey
•Claude Akins … Rev. Jeremiah Brown
Sob direção de Stanley Kramer

Trailer do filme – https://www.youtube.com/watch?v=UZWAtY2vShM

 

About

Economista e Palestrante. CEO do Portal Aviso em Dois e do Projeto Arrisque

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