O Agente da Uncle

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A indústria cinematográfica americana vem investindo já há algum tempo no que ela chama de remake, ou refilmagens de filmes ou séries que foram sucessos nos anos 60 e 70. Essas refilmagens caem numa armadilha difícil de transpor. É tudo menos uma refilmagem. A ideia de atualizar para os tempos de hoje exige que seja um filme nervoso e cheio de violência. Veja por exemplo o Missão Impossível que cujo encanto era o equipamento utilizado pela equipe que hoje já não surpreende mais tal é o grau de sofisticação da tecnologia. Os disfarces utilizados também era outra coisa que atraia e que o publico torcia para desse certo a missão. A criatividade com que o grupo elaborava a missão era outro grande chamariz. O Missão impossível que vemos no cinema e com muito violência e pouco criativo não tem nada a ver com o original.

O filme O Agente da Uncle não foge a regra. Os personagens principais tem o mesmo nome dos personagens que fizeram sucesso na série dos anos 60, Napoleon Solo e Illya Kuriakin.

Os personagens são tão diferentes do original que o filme poderia ter outro nome sem nenhum problema para atrair o publico.

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Do original falta a cumplicidade entre os dois agentes e algum humor que na época era bem ingênuo. Numa época em que o que faz sucesso é a violência, veja os esportes e os games, é natural que a indústria cultural leve isso em conta.

Se pensarmos em contextualizar fica claro certa nostalgia quando os EUA era senhor do mundo e o inimigo era claro, a União Soviética. E existia alguma regra em se seguir no ramo da espionagem.

Hoje os EUA já não são tão hegemônicos, divide com os BRICs o mercado financeiro, o inimigo já não é tão claro assim. Hoje o inimigo pode estar dentro dos EUA e a forma de combater é outra além do que desde o Vietnam não ganham uma guerra.

Se levarmos isso em conta existe uma nostalgia dos bons tempos, dos anos de ouro que foram os 30 anos depois da segunda guerra mundial. Hoje, diante da crise da autoestima nada como uma nostalgia dos bons tempos para acalantar o ego do povo americano e isso a indústria de entretenimento sabe explorar.

 

Trailers do filme

https://www.youtube.com/watch?v=himZTt-mhFA

https://www.youtube.com/watch?v=zefz80o3TXk

About

Jornalista cultural, tendo trabalhado nos principais veículos midiáticos nacionais e, durante 15 anos, chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura

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