Beasts of no Nation

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Na semana da Consciência Negra convém repetir o que já foi dito; é a oportunidade de refletir sobre qual foi à relação histórica entre a Europa e a África. É reafirmar o orgulho negro e lutar pelo seu espaço na sociedade e a civilização branca em pensar nas suas atrocidades.

Beasts of no Nation, primeiro longa produzido pela Netflix, é um exemplo do mal que a colonização europeia causou a África.

E ainda causa já que a desculpa no passado era levar a civilização, hoje é levar a democracia. A intenção é sempre a mesma, a exploração.

A divisão do continente africano teve seu início na segunda parte do século XIX. Porém, foi um pouco depois, na Conferência de Berlim (1884 – 1885) que a delimitação das fronteiras da África atingiu seu ponto máximo. Nesta conferência foram decididas normas a serem obedecidas pelas potências colonizadoras. Apesar do intuito inicial da reunião ter sido o de acertar os limites de interesse econômicos destes países na região, não foi possível alcançar um equilíbrio entre as ambições imperialistas de cada nação. A partilha da África foi decidida por Rússia, EUA e 14 países da Europa.

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Essa divisão foi feita segundo os interesses das potencias europeias não respeitando os grupos étnicos dividindo assim laços familiares entres esse grupos.

Beasts of no Nation é o exemplo do que resultou dessa partilha, muito caos, crueldade e perversidade. O filme se passa num pais imaginário onde relata a história de Agu (o estreante Abraham Attah) que na fuga de sua aldeia atacada acaba virando soldado. Uma situação tão comum já relatada em vários livros com Alá e as Crianças Soldados do escritor nascido na Costa do Marfim Kourouma, Ahmadou.

O filme é inspirado no livro do mesmo nome de Uzodinma Iweala, medico, nascido nos Estados Unidos e descendente de Nigerianos.

O filme mostra a triste história de Agu que como muitos garotos africanos se tornaram crianças soldados e trocaram as brincadeiras da infância pelo horror de serem soldados.

Se por um lado omite quais os grandes países ocidental que apoiam e armam o agrupamento a qual pertence, a FDL –Frente de Defesa Local; por outro mostra a ineficácia das tropas da ONU nos conflitos africanos. Existem vários exemplos desses fracassos da ONU em livros e filmes.

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Idris Elba, um dos produtores do filme, faz um comandante que durante a sua campanha vai arregimentando crianças como Agu para ser soldado. Misticismo, droga tornam essas crianças em soldados fieis.

Há uma cena muito singela que embora tenham se tornado soldados brutalizados ainda há um espaço para voltar a ser criança. Um filme que deve ser visto e refletido.
https://www.youtube.com/watch?v=p5N_3ki7cio

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Jornalista cultural, tendo trabalhado nos principais veículos midiáticos nacionais e, durante 15 anos, chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura

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