A critica e o exercício do poder

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O que queremos saber quando buscamos ler ou ouvir uma critica? Queremos alguém que desvenda essa manifestação artística/entretenimento. A critica tem sua origem no século 19 quando escritores eram submetidos a interpretações desses primeiros críticos. Nasce no momento em que o capitalismo se cristaliza se solidifica e é burguesia que vai ditar regras do que é melhor pra sociedade. Então a sociedade é submetida a regras dessa nova sociedade que se forma. São instituídas reagras de comportamento, como o bom comer combinando bebida e comida, regras no se vestir, de como se tornar elegante e assim também padecem os escritores. Nesse mesmo século 19 surge a teoria comparada em literatura. Não se podia comparar escritos da mesma língua. Os escritores das colônias portuguesas eram considerados escritores portugueses e como tal não podiam ser estudados comparativamente a um Eça de Queiroz. Nasceu nessa época o termo influencia. Tal escritor influenciou outro. O que está por traz é o exercício do poder. Uma obra influencia a outra por que é mais bem acabada e a influenciada é uma pobre obra.

Esse exercício de poder leva a contestar o novo para que tudo permaneça igual. Vários exemplos podem ser lembrados aqui. Monteiro Lobato critica Tarsila do Amaral por não entender o que se passa. Os Impressionistas também foram alvos de duras criticas.

O exercício de poder em aprovar ou não determinadas ações que fogem a regra do bom comportamento e não abale a sociedade.

Assim co mo aconteceu com o jazz onde a escola de Frankfurt considerava musica primitiva, com o samba que era entendido como musico de malandro hoje o funk padece desse preconceito assim como a chamada musica brega. Se essas manifestações são reais escapando da indústria cultural elas merecem mais respeito. Cada produto deve ser entendido no seu contexto e se vier para virar tudo de cabeça pra baixo melhor ainda.

Os momentos da historia é quando rompe com tudo e nasce outro momento assim como a idade média rompeu com Roma, e o capitalismo rompeu com o medieval e a manifestação cultural só rompe com o tradicional se a também romper.

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Jornalista cultural, tendo trabalhado nos principais veículos midiáticos nacionais e, durante 15 anos, chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura

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