Teatro do Oprimido na Maré

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Não há duvida que o teatro tem como característica discutir a sociedade em que atua e cada apresentação é único. Desperta o senso critico e não foi à toa que nasceu na Grécia. O teatro sempre esteve vivo seja na renascença ou na colonização portuguesa no Brasil é só lembrar os autos encenados pelo Padre Anchieta. Os grandes textos teatrais discutiram a problemática de seu tempo e hoje apesar de suas distorções como os conhecidos stand Up o teatro anda vivo por aí. Um exemplo disso é o texto que saiu no site 247 anunciando um evento no Rio para o ultimo sábado que dei uma atualizada para mostrar o quanto o teatro ainda cumpre seu papel.

No ultimo dia 26, 34 jovens moradores do conjunto de favelas da Maré, integrantes do Projeto Teatro do Oprimido na Maré, apresentaram seus trabalhos com teatro, música, poesia e dança, discutindo com o público novas formas de atuação comunitária. A primeira edição do #OcupaJovem aconteceu na Arena Carioca Dicró, na Penha. Desta vez o evento aconteceu na sede do Centro de Teatro do Oprimido, na Lapa.

Favela 247 – Desde o início de 2014 o Centro de Teatro do Oprimido realiza no Complexo de Favelas da Maré o Projeto “Teatro do Oprimido na Maré”. Com patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, da SENAD – Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas/Ministério da Justiça por meio do Programa Viva Jovem e Projeto do Ponto LapaMaré por meio da Rede Carioca de Ponto de Cultura/SMCRJ, as atividades acontecem semanalmente com a participação da juventude local onde esta por meio do teatro faz a leitura estética da realidade em que vive, buscando conhecer, debater, propor e intervir com novas formas de atuação comunitária a partir da metodologia do Teatro do Oprimido (TO), criado pelo teatrólogo Augusto Boal, e internacionalmente reconhecido como método teatral “transformador” da realidade social de todos os envolvidos.

Nos primeiros meses de atuação na Maré, o Projeto “Teatro do Oprimido na Maré” realizou dezenas de oficinas demonstrativas do método, em todos os micro bairros da comunidade. Dessas oficinas 34 jovens, entre 15 e 20 anos, todos moradores da Maré, se candidataram para a formação de três Grupos de Teatro do Oprimido (GTO). Nos meses seguintes, esses jovens receberam treinamento na metodologia do TO, participaram de aulas de musicalização, cenografia, pintura, poesia e de cultura digital. No início de 2015, os grupos, GTO Maré 12, GTO Marear e GTO Marémoto, acompanhados de um diretor musical, de um cenógrafo e de um Curinga (como Boal denominou o especialista na metodologia do TO), começaram a conceber seus espetáculos, cujos temas são ligados as “problemáticas” do cotidiano dos moradores da Maré. A escolha da temática do espetáculo e a concepção do texto foram dos próprios jovens.

– As peças contam histórias reais vividas por esses jovens, como por exemplo, o preconceito que existe no mercado de trabalho em relação ao morador das comunidades pobres, o machismo, a questão de gênero, a violência sexual etc – comenta o sociologo Geo Britto, coordenador e idealizador do Projeto “Teatro do Oprimido na Maré”. – A discussão sobre preconceito e violência segue mesmo depois da peça terminada. É nesse momento que inicia o Teatro Fórum, que leva para além do palco as questões da sociedade que precisam ser mudadas. Assim, para fortalecer o diálogo entre o oprimido e o opressor a plateia entra em cena. Uma das principais características do Teatro do Oprimido é essa participação. O Curinga pergunta ao público como eles resolveriam o impasse. Mas não basta o espectador dizer o que faria, ele tem que subir no palco e mostrar. Neste momento um espectador substitui o ator na cena interpretando a alternativa pensada. Em seguida o público discute se aquela alternativa colabora na solução. Muitas alternativas podem existir e outros espectadores entram em cena. Nesse momento a improvisação é que vale.

Nesses meses atuação na Maré, o Projeto “Teatro do Oprimido na Maré” tem alcançado seu objetivo que é o de colaborar para que o cidadão se torne protagonista da própria vida. A esse respeito Geo Britto, cita Augusto Boal: “O primeiro princípio do Teatro do Oprimido é transformar o espectador, que é um ser passivo, em ator, que é um ser ativo. Nós procuramos transformar uma pessoa que não faz nada numa pessoa que determina as coisas que serão feitas.” A continuidade do projeto depende desse querer torna-se protagonista e é nisso que o Centro de Teatro do Oprimido está se empenhando com esses 34 jovens e com os parceiros locais, para que todos se tornem multiplicadores desse querer transformador.

“Festival Juventude da Maré”
As apresentações públicas dos espetáculos de Teatro Fórum acontecem semanalmente em diversas localidades do Complexo da Maré e ocasionalmente fora da Maré, em locais como a Fiocruz, as Arenas Cariocas, a Unirio etc. No dia 29 de novembro os três grupos se encontram no Parque das Ruínas, em Santa Teresa, onde realizam o “FESTIVAL JUVENTUDE DA MARÉ”, um evento com teatro, música e artes visuais. Todas as apresentações são DE GRAÇA.

Sinopse e ficha técnica dos espetáculos
A seguir apresentamos as informações do repertório de cada GTO. Outras informações e a programação completa estão disponíveis no site http://www.ctorio.org.br/ctomare.

A RESPOSTA SÓ É NÃO?
Sinopse: A peça de Teatro-Fórum fala do preconceito sofrido por moradores de favela no mercado de trabalho. Diogo, morador da Maré consegue um emprego numa multinacional. Porém, ao descobrirem sua origem, é demitido. A partir daí, a plateia é convidada a substituir o protagonista e no lugar dele, propor alternativas.
Texto e Músicas: Criação coletiva do GTO Marear
Elenco/GTO Marear: Carina Santos, David Carvalho, Gabriel Horsth, Gabriel Affonso, Gustavo Glauber, Jessica Vasconcelos, Joyce Vasconcelos, Kamyla Galdeano, Kíscila Tasciane, Luciana Nunes, Guta Almeida, Matheus Affonso, Luiz Fernandes, Rodrigo Machado, Tailane Santos, Lene Santos e Dayane Souza.
Direção: Janna Salamandra e Alessandro Conceição
Direção Musical: Roni Valk
Direção de Imagem e Cenário: Cachalote Mattos
Figurino: Nivea Nascimento
Maquiagem: Wellington Leão
Adereços: Mauro Soh

MARCHA BORBOLETA
Sinopse: Depois do ensaio teatral, Léo e Duda se despedem com o combinado de convidarem seus pais para a grande estreia. Em casa, Léo se depara com a irredutível ideia do pai de que somente o trabalho de mecânico garantirá seu futuro. Mas e o sonho de Léo fazer teatro? Duda é surpreendida por seu tio, enquanto estão sozinhos, com um presente muito sexy. Como apoiar uma jovem que sofre assédio sexual do próprio tio? A partir daí, a plateia é convidada a substituir os protagonistas e no lugar deles, propor alternativas.
Texto e Músicas: Criação coletiva do GTO Marémoto
Elenco/GTO Maremoto: Kyara Elane, Bárbara Assis, Kelly Ramos, Max Waldorf, Nanny Cunha, Patrick Torres, Luana Correa, Jeferson Luciano, Rafaella Pereira, Anderson Oliveira, Lucas Brynner e Vinicius Alves.
Direção: Claudete Felix e Flavio Sanctum
Direção Musical: Roni Valk
Direção de Imagem: Cachalote Mattos
Assistente de curinga: Marcela Farfan
Cenário: Zitto Bedat
Figurino: Kelly Régis
Maquiagem: Wellington Leão
Adereços: Mauro Soh

EM UMA FAMÍLIA
Sinopse: A peça de Teatro-Fórum aborda o machismo que uma jovem de 15 anos sofre dentro de sua família. Ana sonha jogar futebol e tocar berimbau. Porém seu pai diz que futebol é pra homem. Ela quer sair e se divertir, o pai responde que filha tem que ajudar a mãe na faxina, ser boa dona-de-casa para ser uma verdadeira mulher. A partir daí, a plateia é convidada a substituir a protagonista e no lugar dela, propor alternativas.
Texto e Músicas: Criação coletiva do GTO Maré 12
Elenco/GTO Maré 12: Aparecida dos Anjos, Gabriela Guedes, Nara Gomes Freire, Nayla Gomes Freire, Maiara Mendonça e Jhenifer Melo.
Direção: Monique Rodrigues, Alessandro Conceição e Claudete Felix
Direção Musical: Roni Valk
Direção de Imagem e Cenário: Cachalote Mattos
Figurino e Maquiagem: Wellington Leão
Adereços: Mauro Soh

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Jornalista cultural, tendo trabalhado nos principais veículos midiáticos nacionais e, durante 15 anos, chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura

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