Teatro da Vertigem

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Escrever sobre teatro nesta coluna é complicado já que o leitor fica impossibilitado de conferir o escrito. Salvo raras exceções como a de hoje vale sempre pela criatividade e o esforço de fazer teatro. Quero escrever sobre o Teatro da Vertigem que reestreia hoje depois de uma curta temporada no Sesc Pompeia, o espetáculo O Filho, inspirado no livro Carta ao Pai, de Franz Kafka. As apresentações serão na Vila Itororó (Rua Pedroso, 238 – Bela Vista).

Quem melhor resume a historia do grupo é Ana Lucia Santana no site infoescola:

O Teatro da Vertigem, criado em 1992, liderado pelo diretor Antônio Araújo, realizou até agora trabalhos significativos, que compõem a já famosa Trilogia Bíblica, integrada por Paraíso Perdido, de 1992, do dramaturgo Sérgio de Carvalho; O Livro de Jó, de 1995, do autor Luís Alberto de Abreu; e Apocalipse 1,11, de 2000, de Fernando Bonassi.

Estas obras têm sempre, como cenários, paisagens nada padronizadas, como igrejas, hospitais e prisões não mais utilizadas para a detenção de prisioneiros. Desta forma é possível gerar uma interação específica entre os propósitos das peças elaboradas pelo grupo e modelos simbólicos, emoções despertadas no público, fatores mnemônicos e a natureza oficial dos locais selecionados para as encenações.

A companhia nasceu da união de Araújo e amigos provindos da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, a ECA/USP. Os principais nomes do Teatro da Vertigem, neste momento inicial, são Daniela Nefussi, Johana Albuquerque, Lúcia Romano e Vanderlei Bernardino.

O que mais estimula o trabalho de criação deste grupo é a produção de obras coletivas, que testemunham o pleno exercício da democracia, primando pelo compartilhamento de experiências entre o dramaturgo, os atores e o diretor, as quais dão origem às peças encenadas pelo Teatro da Vertigem.

O primeiro espetáculo elaborado pela companhia foi Paraíso Perdido. Seu autor bebe com liberdade na obra barroca do poeta John Milton. Depois de um ano, após um longo confronto com membros da ala religiosa conservadora, a peça é apresentada ao público na Igreja de Santa Ifigênia, localizada no centro de São Paulo. A encenação revela de forma singela uma pungente interação entre seres humanos à procura da natureza divina.

O trabalho posterior, O Livro de Jó, flagra o Teatro da Vertigem no contexto hospitalar. Encenada no Hospital Humberto Primo, a peça aborda as dificuldades com as quais o Homem se defronta em fins do século XX. O público pode interagir com os atores, seguindo Jó em sua jornada espiritual.

Após uma passagem por Nova York, quando realizou diversos cursos e estágios, Antônio Araújo voltou para o Brasil já com Apocalipse 1,11 em germe criativo. Baseado no Livro do Apocalipse, escrito por São João, enfoca igualmente a tragédia humana, a extrema fragilidade moral do Homem, revelando sem temor as feridas impressas em carne viva na tessitura social e as calamidades da fome e da trajetória existencial.

Atualmente integram o Teatro da Vertigem os intérpretes Vanderlei Bernardino, Sérgio Siviero, Miriam Rinaldi, Joelson Medeiros, Roberto Audio, Luciana Schwinden e Luís Miranda. Há também as participações especiais de Matheus Nachtergaele e Mariana Lima.

Entre as ferramentas mais utilizadas pelo grupo na sua jornada cênica estão: a forte carga teatral, o mergulho da companhia nas paisagens e nas personas abordadas, a exigente prática corporal e vocal. O resultado da exploração desta linguagem é a criação de obras que continuam a ser amplamente aclamadas pela crítica e pelo público, espetáculos constantemente premiados.

E Agora segue as informações do espetáculo:
A peça O Filho adentra o universo da família e exprime a debilidade de seus vínculos. É nesse contexto que a vida de Bruno, protagonista da história, é atravessada pelas relações com seu pai, sua mãe, mulheres e filhos.

“(…) Em O filho, a máquina-Vertigem e a máquina-Kafka se fundem em um único engenho, graças à inteligência e à sensibilidade da diretora Eliana Monteiro (…).”
(Welington Andrade em crítica do espetáculo na Revista Cult)

Espetáculo O Filho
Esse novo trabalho do Teatro da Vertigem é a segunda montagem, com direção de Eliana Monteiro, criada a partir da obra de Franz Kafka. Inspirado na sua Carta ao Pai, com texto de Alexandre Dal Farra, o espetáculo expõe a trajetória e as relações de Bruno com seus pais, seus filhos e suas mulheres. Ao constatar e descrever as situações vividas para si, ele tenta aprender, entre outras coisas, o que é ser um homem de verdade.

A Vila Itororó
A Vila Itororó é um conjunto de casas de aluguel construídas em 1922 pelo luso brasileiro Francisco de Castro. Após a sua morte, a Vila passou de mãos em mãos e sofreu da falta de manutenção por parte dos seus proprietários. Continuou, porém, como lugar de moradia. Nos anos 2000, a Vila Itororó foi desapropriada pelo Estado de São Paulo, que confiou sua gestão e recuperação à Prefeitura de São Paulo. Hoje a Vila Itororó é tombada pelo Conpresp e pelo Condephaat.

Francisco de Castro ergueu a Vila Itororó usando os destroços da cidade, entre os quais os restos do Teatro São José, que funcionou de 1903 até 1923 na frente do Teatro Municipal. A Vila passou por diversas modificações ao longo do século XX – algumas realizadas pelo próprio Francisco de Castro, e outras, pelos seus moradores – e é hoje testemunha de uma São Paulo em constante mutação, marcada por violentas transformações. Os últimos inquilinos, na sua maioria de baixa renda, esforçaram-se por resistir à remoção. Após uma longa luta, foram realojados em conjuntos do CDHU na região central.

A Vila está atualmente passando por processo de restauro gerenciado pelo Instituto Pedra. O objetivo do restauro é implementar atividades culturais na Vila Itororó. Devido às múltiplas questões que o projeto coloca, esse processo está sendo feito de forma aberta. Desde o dia 10 de abril último, o público pode visitar o canteiro de obras, conhecer o projeto e propor soluções e abordagens em consonâncias com suas expectativas, enquanto os primeiros edifícios são restaurados para serem reabertos a partir de 2016. Por que fazer um centro cultural em um lugar de moradia? O que entendemos por cultura? Quais são as formas de habitar o local, ou como a própria cultura pode ser habitada? Qual a relevância da Vila Itororó para a cidade hoje? Como reabilitar a luta dos ex-moradores que marcam sua história recente? Esses são alguns eixos norteadores do projeto em curso.

Ficha Técnica
Criação: Teatro da Vertigem Concepção e Direção Geral: Eliana Monteiro
Texto: Alexandre Del Farra
Atores: Antônio Petrin, Mawusi Tulani, Paula Klein, Rafael Lozano e Sergio Pardal
Desenho de Luz: Guilherme Bonfanti
Cenografia: Marisa Bentivegna Trilha Sonora: Erico Theobaldo
Figurino: Marina Reis Vídeo: Grissel Piguillem e Kako Guirado
Dramaturgismo: Antônio Duran
Preparação corporal: Kênia Dias
Preparação Vocal: Ariane Moulin
Assistente de Cenografia: Rogerio Romoaldo
Operação de Luz: Danielle Meirelles
Operação de Som: Lutz Gallmeister
Operação de Vídeo: Michelle Bezerra
Diretores de Cena: Isabella Neves e Daniel Roque
Cenotecnia: Cesar Resende de Santana
Técnico de Luz: Felipe Tchaça
Produção Executiva: Marcelo Leão
Assistente de Produção: Leonardo Monteiro
Direção de Produção: Teatro da Vertigem e Núcleo Corpo Rastreado
Montagem de iluminação: Bala e Beto (Armazém da Luz), Rafael Araújo, Gabriela Araújo, Marcela Katzin e Ricardo Barbosa
Montagem de áudio: Lucas e Vitor Designer Gráfico: Luciana Facchini
Assessoria de Imprensa: Marcia Marques – Canal Aberto

Serviço
Espetáculo O Filho
De 17 de setembro a 01 de novembro de 2015
De quinta a sábado, às 20h. Domingos, às 19h.
Duração: 80 min
Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 16 anos.
Ingressos: R$ 40,00 (inteira)/ R$ 20,00 (meia)
Lotação: 60 lugares
Local: Vila Itororó – Rua Pedroso, 238 – Bela Vista
Telefone para informações: (11)3255-2713

About

Economista e Palestrante. CEO do Portal Aviso em Dois e do Projeto Arrisque

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