FED inicia a normalização monetária

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Nesta quinta feira 17/09 o Banco Central Americano (Federal Reserve, ou Fed), deve anunciar a tão aguardada decisão sobre os juros no país. O anúncio será feito às 15h (horário de Brasília) e será seguido de um comunicado de sua presidente, Janet Yellen, justificando sua decisão e estabelecendo parâmetros e projeções de condução da política monetária.

Consequencia da crise financeira das hipotecas, os juros de referência nos Estados Unidos estão historicamente baixos, entre zero e 0,25% ao ano, desde o dia 16 dezembro 2008.

Apenas 18% dos consultores de Wall Strett acreditam que o Fed irá aumentar a taxa de juros já nesta reunião, esta pequena parcela tem como argumento técnico básico, o fato de as condições positivas do mercado de trabalho combinada com a análise da curva de Phillips acabarem presumindo que pressões inflacionárias irão se construir, e também porque a política de “regras” aceitas com base em medidas convencionais de aperto do mercado de trabalho (e do hiato do produto) permite que a taxa de política apropriada seja agora de forma inequívoca positiva.

Grande parcela dos analistas que há dois meses, acreditava que o Fed iria aumentar as taxas em setembro, hoje argumenta que as turbulências nos mercados financeiros e preocupações sobre a economia da China podem fazer com que o Fed espere até dezembro ou até mesmo 2016 para alterar as condições hoje estabelecidas.

A decisão mais importante e mais difícil de hoje será saber qual a escolha que a autoridade monetária irá fazer diante das condições econômicas atuais.

Trabalhará passivamente com a suas regras e modelos ou irá usar ativamente o instrumento de política monetária combinado com um comunicado dovish (tolerante) alertando que o processo de normalização será aplicado com gradualismo a partir de agora?

Fico com a segunda opção. As condições monetárias americanas e globais atuais não serão afetadas bruscamente com uma normalização branda e devidamente programada. A demora tem provocado expectativas mais pessimistas do que a atitude sugere. Mãos a obra Fed!

Na minha avaliação os bancos centrais, principalmente o brasileiro, devem monitorar e utilizar os instrumentos de política monetária ativamente no curto prazo, para que as metas de estabilidade monetária e de crescimento de longo prazo sejam atingidas. Em suma serem os verdadeiros formuladores de política monetária, policy makers (decisores de política) e não párias dos chamados “mercados”.

“O caminho mais curto para se fazer muitas coisas é fazer somente uma coisa de cada vez.” Sydney Smiles

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Economista e Palestrante. CEO do Portal Aviso em Dois e do Projeto Arrisque

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