Bordados como expressão

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O bordado pertence ao mundo feminino e com ele a expressão da mulher na sociedade.

A imagem de uma moça casadoira sentada na ampla sala bordado seu enxoval nos é familiar. Expressa a fantasia romântica em que a jovem teria um casamento feliz, com filhos bonitos e saudáveis, sem a vida fazer marola, quando muito um tsunami. Estava naquelas flores, em geral eram flores a serem bordado, seu ideal de casamento. Para que o casamento fosse o desejado ela deveria estar arrumada. Perfumada com o jantar pronto a espera do marido. Os tempos mudaram os bordados expressam outra coisa.

Estilista Zuzu Angel cujo filho foi morto na ditadura expressou seu horror numa coleção onde sua marca, um anjo, passava por uma serie de torturas.

No início dos anos 90, Rosana Palazyan buscou nas páginas dos jornais as histórias que davam conta da violência envolvendo menores para bordar em travesseiros e colchas.

Agora o Memorial da America Latina a partir de 25 de setembro um trabalho em bordado desenvolvido durante a ditadura chilena e por brasileiras atingidas pelas barragens.

 

Conheça a exposição pelo texto publicado pelo site Brasil de Fato.

Exposição internacional questiona papel da mulher na sociedade

Mostra apresenta peças de bordados criadas em diversos países a partir de técnica desenvolvida durante a resistência à ditadura chilena. Parte das obras foi produzida por brasileiras atingidas por barragens.

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A exposição internacional “Arpilleras: bordando a resistência” estará aberta ao público no Salão de Atos do Memorial da América Latina, em São Paulo, entre os dias 25 de setembro e 25 de outubro. Reunindo 37 peças de bordado construídas por mulheres, a mostra tem como o objetivo questionar e transgredir o papel das mulheres na sociedade.

25 das peças têm origem brasileira, produzidas coletivamente pelas mulheres do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). A técnica utilizada, chamada arpillera, ficou conhecida mundialmente por ter se tornado um dos símbolos de resistência ao regime militar chileno (1973 – 1990).

Naquele período, mulheres das periferias de Santiago se utilizavam das roupas de parentes desaparecidos para denunciar as violações de direitos humanos cometidas pelo governo do general Augusto Pinochet.

Em resgate a esta técnica, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), realizou diversas oficinas com mulheres atingidas por projetos hidrelétricos de todas as regiões do Brasil. Desde de 2013 mais de 900 pessoas participaram destes cursos.

Na programação da exposição está prevista a realização de oficinas de bordados – como forma de questionamento das violações dos direitos das mulheres – a exibição de filmes e a realização de palestras.

Direitos Humanos
A exposição esta dividida em duas partes: “Arpilleras Dialogantes“, uma coleção de 12 peças internacionais, que explicita a histórias de pobreza, repressão policial, desaparecimentos políticos, imigração, minas terrestres e lutas indígenas.
A segunda foi batizada como “Atingidas por Barragens: Costurando os Direitos Humanos”, que reúne 25 obras de bordado que relatam as violações dos direitos causados por barragens em todas as 5 regiões do Brasil.

Lançamento
O lançamento acontece no dia 25 de setembro, às 19h. O evento ocorre no Salão de Atos Tiradentes e conta com a presença da curadora da mostra Conflict Textiles, a chilena Roberta Basic, e de bordadeiras do Movimento de Atingidos por Barragens.
Para apresentar a obra, o MAB produziu um vídeo reunindo algumas das peças apresentadas. Assista abaixo.

 

https://www.youtube.com/watch?v=QtWY762uteo

 

About

Jornalista cultural, tendo trabalhado nos principais veículos midiáticos nacionais e, durante 15 anos, chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura

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