Aviso Semanal – 18

semanal

A semana: A decisão do FOMC (Comitê de política monetária do Fed) em manter inalterada a taxa de referência da economia americana dentro do intervalo de zero e 0,25%, divulgada na ultima quinta feira, não causou surpresas ao mercado, já que poucos esperavam alterações. A surpresa foram os motivos alegados para tal decisão.
O resumo da nota foi este: “Consistente com seu mandato estatutário, o Comitê busca fomentar o máximo emprego e estabilidade de preços. O Comitê atualmente antecipa que, mesmo depois de o emprego e a inflação nos níveis consistentes dos próximos mandatos, as condições econômicas podem, por algum tempo, justificam a manutenção da meta para a taxa dos fundos federais. Desenvolvimentos econômicos e financeiros globais recentes podem restringir a atividade econômica um pouco e são susceptíveis de colocar ainda mais pressão descendente sobre a inflação no curto prazo”.
Ao mencionar os problemas globais como justificativa para não alterar sua política de juros o Fed acabou incrementando um medo adicional aos mercados e assim, o que se viu no pós-decisão foi um desencadeamento de ações em busca de fuga para menores riscos, além de implicitamente adiar a expectativa da chamada “normalização” para o próximo ano.
No Brasil o que se seguiu após a decisão do Banco Central Americano foi um aumento da volatilidade na bolsa de valores e uma corrida para o dólar elevando a cotação para próximo de R$ 4.

Juros: Influenciado pelo aumento da taxa de cambio logo após os juros voltaram a subir, mesmo com os indicadores de inflação corrente ter apresentados índices mais amenos.
A queda na atividade econômica já não está mais permitindo repasses do câmbio para os preços, passada essa turbulência natural de curto prazo o ajuste cambial irá permitir que os juros venham a recuar já no início de 2016.
Expectativa para a semana e de continua volatilidade no início da semana e queda nas taxas de juros futuras no final dela.

Câmbio: Mesmo com uma atuação tímida por parte do Banco Central anunciando mais uma linha de crédito no câmbio de US$ 3 Bi a cotação da moeda norte americana frente ao real continua não dando tréguas e se aproximando dos R$4 na manhã desta segunda feira.
Se o BC quer realmente conter o que ele estima como excessiva valorização, deveria atuar vendendo reservas e não com leilões de linha. A não ser que suas atuações tenham com intenção apenas diminuir a volatilidade e deixar que a desvalorização cumpra seu papel no ajuste econômico mais rápido que o esperado.
Expectativa para a semana: Acomodação com recuo para patamares de R$ 3,85/3,90 por dólar

Bolsa de Valores: Como venho alertando há bastante tempo a Bovespa, com toda volatilidade provocada pela decisão do Fed, chegou a níveis muito atraentes não só para os brasileiros como principalmente para o capital externo com a forte desvalorização do real. Ela vem subindo gradualmente e deve continuar sua trajetória de alta no médio/longo prazos, em função do chamado risco/retorno estar cada dia mais atraente aos investidores.
Expectativa para a semana: 47.500/48.500
“No mundo dos negócios todos são pagos em duas moedas: dinheiro e experiência. Agarre a experiência primeiro, o dinheiro virá depois.” Harold Geneev
*As opiniões aqui contidas são pessoais e não representam recomendação de compra ou venda de ativos financeiros. Desta forma, os autores estão isentos de quaisquer responsabilidades sobre as decisões de investimentos tomadas por seus leitores.
O Aviso em Dois tem como finalidade a troca de ideias, informações e conhecimentos técnicos com os leitores e participantes do mercado financeiro.

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Economista e Palestrante. CEO do Portal Aviso em Dois e do Projeto Arrisque

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