Aviso Semanal – 17

semanal

A semana: O mundo financeiro continua em polvorosa e esta semana a volatilidade nos mercados deve ainda ser maior que semanas anteriores já que na próxima quinta feira o Banco Central Americano (FED), através de seu Comitê de Política Monetária (FOMC) irá divulgar a tão esperada taxa de juros que irá vigorar até a próxima reunião.
Apesar de, nas últimas semanas, termos assistido a um recuo expressivo das expectativas para as taxas de juro de referência, desencadeado pelas recentes turbulências nos mercados financeiros e por algumas intervenções públicas de alguns membros do FED sugerindo maior cautela, continua elevada a expectativa da possibilidade de que a autoridade monetária anuncie o início do processo de normalização dos juros de referência. Como se trata de um Banco Central, que assim como outros pelo mundo deseja mostrar autoridade, é provável que o aumento de juros aconteça, mas acompanhado de um comunicado sugerindo abrandamentos e cautelas futuras.
No mercado local o Brasil foi sacudido na semana passada pela antecipação do rebaixamento de seu grau de investimentos dado pela agência de risco Standard & Poor’s. O anuncio provocou mais turbulências políticas que propriamente nos mercados que reagiram de maneira mais serena.
De qualquer forma não foi uma boa notícia, mesmo sabendo-se que as tais agências de risco não desfrutam da mesma credibilidade que tinham antes da crise de 2008, a formação da carteira de muitas instituições administradoras de recursos levam em conta o grau de risco dado nessas notas para formação de suas carteiras. Assim, a equipe econômica vem se apressando em concluir o pretendido ajuste fiscal prometendo para essa semana um anuncio de corte de mais de R$ 20 bi no orçamento da União e de medidas complementares.

Juros: Influenciado pelo aumento da taxa de cambio logo após o rebaixamento da S&P os juros chegaram a subir bastante na semana, mas recuaram ao final dela mostrando que a queda da atividade econômica não está mais dando margens para repasses de preços, a divulgação do IPC-A de agosto com um aumento de apenas 0,22% e de outros indicadores inflacionários não dão suporte para que o BC aumente ainda mais a taxa básica.
A preocupação do aumento da dívida pública provocado pela alta taxa de juros e a queda brusca na atividade econômica sugere que a queda na taxa básica já se inicie no inicio do ano de 2016.
Expectativa para a semana e de redução continua em toda a curva.

Câmbio: Mesmo com uma atuação tímida por parte do Banco Central anunciando 2 linhas de crédito no câmbio, a primeira de US$ 3 Bi e a segunda adicional de US$ 1,5 bi, a cotação da moeda norte americana frente ao real foi abaixo das expectativas do mercado.
A volatilidade do mercado de moedas será pontuada pelas expectativas do resultado da reunião do Banco Central americano que irá definir a sua taxa de juros.
Expectativa para a semana: Acomodação com recuo para patamares de R$ 3,75/3,80 por dólar

Bolsa de Valores: Após o anuncio do rebaixamento da nota soberana brasileira naturalmente a maioria das principais empresas listadas na bolsa tiveram suas notas também reduzidas naturalmente, já que o risco soberano precede aos demais riscos subjacentes.
Como todos esses rebaixamentos o comportamento do Ibovespa foi bem discreto, mitigado pelo fato de a chamada relação risco/retorno de nossa bolsa estar em patamares atrativos.
Expectativa para a semana: 47.500/48.500

 
“No mundo dos negócios todos são pagos em duas moedas: dinheiro e experiência. Agarre a experiência primeiro, o dinheiro virá depois.” Harold Geneev

 

*As opiniões aqui contidas são pessoais e não representam recomendação de compra ou venda de ativos financeiros. Desta forma, os autores estão isentos de quaisquer responsabilidades sobre as decisões de investimentos tomadas por seus leitores.
O Aviso em Dois tem como finalidade a troca de ideias, informações e conhecimentos técnicos com os leitores e participantes do mercado financeiro.

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Economista e Palestrante. CEO do Portal Aviso em Dois e do Projeto Arrisque

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