Aláfia

Alafia

A importância da cultura negra se faz ainda mais presente. Há um século ela, a cultura negra, salvou a musica europeia dos experimentalismos herméticos e com a sua sincope, improvisação deu inicio ao samba, ao jazz, e outras formas de musica em países coloniais que usavam a mão escrava negra. Recentemente surgiu a Rumpless uma banda jazzística que usa como percussão a batida e os instrumentos utilizados nas cerimônias afros em Salvador na Bahia. E agora surge em São Paulo o Aláfia que vale a pena conhecer. Informações tiradas do site do Aláfia e do auditório Ibirapuera.

Tudo começou em 2011, quando o bando Aláfia esquentava afinidades em uma temporada de shows no Bar B, no centro de São Paulo. A fala da rua, o frescor dos encontros e o contato profundo com a ancestralidade afro-brasileira então se mostraram aspectos fundamentais para a criação do grupo. Urbano, o bando pertence à cidade em transe. A música do Aláfia (“caminhos abertos” em ioruba) surge da digestão de influências diversas, do ponto de encontro entre rap, música de terreiro, MPB e funk. Ritmos e melodias dão forma a uma lírica sofisticada que questiona a sociedade atual e não deixa indiferente.

Após lançar um primeiro disco homônimo em 2013 na Choperia do SESC Pompéia com casa cheia, Aláfia percorreu boa parte da cidade e do estado de São Paulo, marcando presença nos CEUs, SESCs e casas de show locais, além de participar de eventos importantes como a comemoração do dia da Consciência Negra no Vale do Anhangabaú, a Virada Cultural de São Paulo e a Virada Cultural Paulista, a abertura da Mostra Cultural da Cooperifa, o Festival João Rock em Ribeirão Preto, a Mostra Cultural da Favela Monte Azul, dentre outros. A banda conquistou também outros estados: o Ceará na Mostra SESC Cariri de Cultura e o Rio de Janeiro dentro do Festival Veraneio no Oi Futuro Ipanema, até realizar sua primeira apresentação fora do país na Plaza de la Revolución em Havana, Cuba.

Com sua originalidade, ganhou destaque na mídia e reconhecimento dentro do cenário musical. A música Mais Tarde entrou na trilha sonora do game da Eletronic Arts “Fifa World Cup 2014” e a música Em Punga integra a Coletânea New Sounds da revista Songlines (UK). Em maio de 2014, Aláfia lançou o single Quintal acompanhado do seu primeiro videoclipe, com mais de 4000 visualizações em dois dias.

2015 marca o lançamento do segundo disco, Corpura (YB Music) contemplado pelo programa Natura Musical. Produzido por Alê Siqueira e Eduardo Brechó, o disco traz o compromisso da banda não só com a ancestralidade e matrizes brasileiras, mas também com a necessidade do diálogo sobre a realidade cultural e social do país. Questões atuais e relevantes são levantadas e musicadas ao passo que o som do Aláfia flerta com a black music carioca dos anos 70 e o funk norte americano e africano. É o funk candomblé que atinge sua maturidade. Corpura, ao mesmo tempo em que nos incita a refletir, é também um convite a dançar.
Aláfia é:
Eduardo Brechó – voz, guitarra e direção musical
Xênia França – voz
Jairo Pereira – voz
Alysson Bruno – percussão
Victor Eduardo – percussão
Lucas Cirillo – gaita
Pipo Pegoraro – guitarra
Gabriel Catanzaro – baixo
Gil Duarte – trombone
Filipe Vedolin – bateria
Fabio Leandro – teclado

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Aláfia

A banda paulistana Aláfia – formada por Xênia França (voz), Jairo Pereira (voz), Eduardo Brechó (voz, guitarra e percussão), Fabio Leandro (teclado e vocoder), Alysson Bruno (percussão), Filipe Gomes (bateria), Gabriel Catanzaro (baixo), Gil Duarte (flauta e trombone), Lucas Cirillo (gaita), Pipo Pegoraro (guitarra) e Victor Eduardo (percussão) – faz show de lançamento do segundo disco de sua carreira, intitulado Corpura.

Durante a apresentação, que conta com a participação especial de Ialorixá Neide Ribeiro, Tássia Reis, Raphão Alaafin, Projeto Coisa Fina e Vinícius Chagas, entre outros nomes, o grupo mostra as 11 canções que compõem o novo trabalho, como “Salve Geral” e “Blacksmith”, e que homenageiam 11 orixás, além de algumas composições do primeiro álbum de sua carreira, Aláfia, lançado em 2013.

Eduardo Brechó explica que, nos dois discos da banda, o processo e a relação com a matriz africana são semelhantes no que diz respeito ao alicerce conceitual, já que sempre se baseiam em células e claves tradicionais para construir a música. Ele diz também que ambos os trabalhos foram elaborados a partir da visão de mundo recebida pelos integrantes da vivência nos terreiros e do culto aos ancestrais/orixás.

Contudo, enquanto Corpura “está mais voltado para o funk, tendo o candomblé e a dimensão afro-brasileira como base, o primeiro disco é bastante baseado em padrões rítmicos e instrumentos típicos do oeste da África”, conta Eduardo. “Naturalmente, a sonoridade e a mensagem de Corpura são mais concisas, por termos nos aprofundado e amadurecido em nosso próprio jeito de fazer música, estabelecendo como meta não desassociar os discursos verbais e musicais em nenhuma instância.”

A palavra aláfia, de origem iorubá e que significa “caminhos abertos”, reflete bem o espírito dessa grande banda, que se formou em 2011 e, além do compromisso com a ancestralidade, procura mostrar em seus trabalhos a necessidade do diálogo sobre a realidade cultural e social do país.

“O espírito do grupo se manifesta em nosso trabalho, na nossa ‘corpura’. Somos dispostos a trocar e somos muito gratos ao que temos vivido nesse pouco tempo de banda, aprendendo e somando com vários parceiros e parceiras que aparecem e acompanham nossa trajetória”, diz Eduardo. “O nosso caminho só se abre se caminharmos e, de fato, estamos caminhando juntos com vários outros coletivos. Cada passo é fundamental para o horizonte que vislumbramos.”

Dia: 20 de setembro de 2015
Horários: às 19h
Duração: 90 min (aproximadamente)
Ingressos: R$ 20,00 e R$ 10,00 (meia-entrada)
Classificação Indicativa: livre para todos os públicos

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Jornalista cultural, tendo trabalhado nos principais veículos midiáticos nacionais e, durante 15 anos, chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura

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