Expresso do amanhã

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A ficção científica sempre foi considerada como uma literatura menor e surge no inicio do século 19 no que podemos considerar ao auge do cientificismo. A anatomia, a química, física, a mecânica e outras tanta ciências nunca se desenvolveram com tanta velocidade. E é justamente no inicio do século 19 a que surge a que foi considerada a primeira literatura de ficção científica pelo medo que infundiu virou uma literatura de terror, Frankenstein de Mary Shelley. Esse gênero de literatura passa a ter importância por que consegue fazer uma critica a esses avanços científicos quanto então muitos pensavam que qualquer sacrifício humano se justificava. No cinema a ficção científica sempre conservou esse clima de terror.

Diante dessas primeiras letras podemos falar do filme Expresso do amanhã dirigido pelo sul-coreano Joon-Ho.

Expresso do Amanhã conta a historia de um trem que circula por um mundo devastado pelo frio. Um mundo que está num segundo momento de glaciação. O trem através de seus vagões conserva a lógica da divisão de classes e sua divisão do trabalho capitalista. Durante o filme podemos observar os vagões onde estão os trabalhadores braçais, os professores que incutem à ideologia da divisão de classe e o culto a personalidade do criador do trem, os trabalhadores na agricultura, os técnicos em computação e lá no ultimo vagão os miseráveis, um estoque de mão de obra que vão sendo chamados ao trabalho à medida que sua força de trabalho seja necessária. Logo no inicio do filme a guarda pretoriana busca nesse ultima vagão um violonista. De tempos em tempos alguns desses que vivem no ultimo vagão são mortos para manter um equilíbrio demográfico. Gente demais pode gerar doença, revolta.

Assim segue o trem por 18 anos dentro de uma harmonia mantida pela pax romana.

O filme reproduz ali a luta de classe com todos os representantes da sociedade onde a solução não é tomar o controle o trem que seria uma reprodução do mesmo para que o trem continue a percorrer o mundo. A destruição do trem seria a possibilidade de se construir uma nova sociedade solidaria para que todos consigam sobreviver num mundo gélido. O que chamou atenção numa cena em que há uma luta no vagão onde estão as maquina que fazem o trem funcionar quando surge um dos guardiões que abre as asas como se fosse um anjo o que leva a pensar que a igreja e aqui me reporto as evangélicos, é uma das entidades que quer que tudo continue como está.

Por fim os sobreviventes são emblemáticos. Sobrevivem uma da etnia oriental, outra da etnia afro e um da etnia europeia.

O que é interessante pensar é que neste momento a ficção cientifica tanto na literatura quanto no cinema consegue fazer uma critica ao capitalismo. Na atual crise mundial a Grécia. Irlanda, Portugal e outros países endividados são os vagões que ajudam a manter a sobrevivência e a qualidade de vida do primeiro vagão (mundo).

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Jornalista cultural, tendo trabalhado nos principais veículos midiáticos nacionais e, durante 15 anos, chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura

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