Entre o bem e o mal

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Conta a história que um homem selvagem inicialmente encontrando outros teria se amedrontado. Seu terror o levou a ver esses homens maiores e mais fortes do que ele próprio e a dar-lhes o nome de “gigantes”.

 

Depois de muitas experiências, reconheceria que, não sendo esses pretensos gigantes nem maiores e nem mais fortes do que ele, à sua estatura não convinha à ideia que a princípio ligara a palavra gigante. Inventou então, outro nome comum a eles e a si próprio, o nome “homem” e deixaria o de “gigante” para o falso objeto que o impressionara durante sua ilusão.

 

Isso mostra como a palavra figurada nasceu antes da própria quando a paixão fascinou os olhos e a própria ideia oferecida não foi a da verdade.

 

O homem primitivo também resumia em três coisas o medo do mal: o acaso, o incerto e o súbito. Costumava combater o mal o submetendo à inteira interpretação moral-religiosa, aplicando o castigo e a penitência.

 

Com a evolução da humanidade o homem moderno passou a não temer tanto o incerto, o acaso e o súbito. Diminuiu a fé religiosa, passando a acreditar que o fato de aprender a pensar e calcular fossem capazes de prevenir todo o mal. Assim deixou de ter uma justificativa para o mal, o bem é que precisa de justificativa para ser praticado.

 

O mal na forma primitiva, o súbito, o acaso e o incerto passaram a ser excitante para o progresso e para o desenvolvimento da era moderna.

 

E onde entra essa análise no atual contexto econômico?

Na palavra MERCADO.

 

Por mais incrível que possa parecer o termo “mercado” é hoje tão figurado para a humanidade como era para o homem primitivo.

 

No contexto geral, mercado hoje em dia passou a ter um significado místico. Ao contrário do homem primitivo, o homem moderno fez o caminho inverso da palavra, o que foi conhecido como o local no qual agentes econômicos deveriam proceder à troca de bens por unidade monetária ou por outros bens com tendência a se equilibrar na lei da oferta e da procura passou a ter outro sentido, o de que tudo pode em nome de um suposto mercado.

 

Mercado não pode, como dizem estressar, não pode ficar nervoso, porque caso isso aconteça irá gerar o acaso, o incerto e o súbito, que não contribuem para o desenvolvimento econômico da humanidade.

 

Porém, em uma economia verdadeiramente de mercado, o ruim seria aquele que quebrou não ser expurgado do contexto, negando o conceito da palavra.

 

No entanto, como bem sabemos as soluções para o fim da crise global tiveram caminho oposto, o da manutenção do “status quo” dos poderes financeiro e políticos globais estabelecidos.

 

Se observarmos o momento atual o impasse na solução da dívida Grega é mais uma consequência das intervenções do governo, no caso o europeu, que buscou salvar o sistema financeiro, em especial os bancos, em troca do sacrifício da população, fazendo com que a solução seja adiamentos eternos e de difícil solução. O povo grego, mesmo precisando dos recursos da troika, já disse não a continuidade e intensidade do ajuste, por outro lado as autoridades europeias não possuem uma solução pragmática que consiga punir a Grécia sem que isso traga consequências piores para toda comunidade, um expurgo que a principio seria a solução para punir um país rebelde pode se tornar exemplo para um caminho a ser seguido por outras nações com problemas semelhantes.

 

O impasse exigirá uma solução política que esteja acima dos interesses econômicos. Até lá teremos sucessivos adiamentos e negociações que prometem demandar longo tempo.

 

Felizmente as ultimas crises financeiras estão cada vez mais expondo as mazelas de um sistema econômico decadente e suas contradições, que a história se encarregará, como sempre, de corrigir.

 

Dai o homem “moderno” em defesa do sentido figurado de MERCADO, já não saber ao certo o que representa o bem e o que representa o mal.

 

“Se todos os nossos infortúnios fossem colocados juntos e, posteriormente, repartidos em partes iguais por cada um de nós, ficaríamos muito felizes se pudéssemos ter apenas, de novo, só os nossos”. – Sócrates

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Economista e Palestrante. CEO do Portal Aviso em Dois e do Projeto Arrisque

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