Mercado, a liquidez e o sapo

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Quando decidimos realizar um investimento ou aplicação financeira é preciso observar o famoso triple que definirá nossa decisão. Risco, liquidez e rentabilidade.

 

Quando a rentabilidade é acima dos padrões normais de mercado é porque o risco é alto e a liquidez baixa e assim o oposto quando a rentabilidade é mais baixa, portanto a rentabilidade acaba sendo proporcional ao tamanho do risco e a possibilidade de encerrar a operação a qualquer momento (liquidez).

 

Poderemos ter investimento de baixo risco e de baixa liquidez que acabam se refletindo na taxa de retorno ponderadamente. Em suma, essas três avaliações estão sempre interligadas ou ao menos deveriam estar na ponderação de uma aplicação financeira sensata.

 

Ocorre que na prática nem sempre essas avaliações são levadas em conta. Tenho observado, por exemplo, que as pessoas costumam se preocupar mais com as taxas oferecidas e sempre comparando com outros investimentos de menor risco e de alta liquidez como o TD (Tesouro Direto) e a poupança, fazendo opção por títulos de baixíssima liquidez e parcial garantia, desconsiderando que menor garantia e principalmente baixa liquidez deveriam ter a contrapartida de uma remuneração maior.

 

Dessas três avaliações a que está mais intimamente ligada ao mercado é a liquidez (velocidade e facilidade com a qual um ativo pode ser negociado).

 

Se os mercados de uma maneira geral, no exterior e principalmente aqui no Brasil, andam com baixa liquidez é porque alguma coisa está mudando e as pessoas não estão se dando conta.

 

A condição de liquidez no mercado financeiro brasileiro faz lembrar uma antiga experiência com o sapo.  Quando colocamos um sapo na água fervendo ele salta rapidamente fora, mas se o colocarmos em uma água fria e formos aquecendo 1 grau por hora ele não se dá conta e acaba morrendo cozido.

 

Algumas evidências estão acontecendo e poucos estão se dando conta, principalmente as bolsas e as autoridades financeiras. O movimento no mercado secundário de títulos diminui a cada dia, a fuga de investidores, principalmente pessoas físicas em bolsas, é evidente, no entanto o diagnóstico traçado está totalmente fora de foco. Por conveniência ou outros motivos não se tomam providências no sentido de fortalecer a liquidez com uma maior pulverização de participantes.

 

Por mais que queiram negar, o mercado está assim, cada dia mais não mercado, mas não deveria estar.

 

A proposta é de dar continuidade a este debate, senão o mercado acabará morto cozido com o sapo da experiência ou desembocará em uma crise com soluções ortodoxas como sempre acontece em ocasiões extremas.

 

 

 

“Se você não consegue explicar algo a uma criança de 6 anos é porque você não entende o assunto.” Albert Einstein

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Economista e Palestrante. CEO do Portal Aviso em Dois e do Projeto Arrisque

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