Liberdade de expressão

homofobia cruz

Vou entrar num assunto delicado que fatalmente será polemico e que vai contra as convicções já sedimentadas na nossa sociedade seja por via religiosa ou por uma tradição de usos e costumes. Até onde vai a liberdade de expressão artística que se honesta ajuda a entender o nosso cotidiano e que nos passa despercebido.

E há a liberdade de expressão que não pode ser considerada uma manifestação artística quando estimula o preconceito e ódio.  Sempre gostei das revistas que subvertem a tradição humorista como a francesa Hara Kiri, das capas mais bizarras do mundo. Foi lá que conheci Georges Wolinski autor do personagem George o espancador. .

Foi assassinado no massacre do Charlie Hebdo, um ataque terrorista ocorrido em 7 de janeiro de 2015 em Paris. O que se discutiu na época foram os limites da liberdade de expressão. É um limite tênue. O Charlie Hebdo tem cartuns fantásticos, mas comete o deslize de fazer uma caricatura de uma grávida onde um bebe carrega consigo uma bomba. A meu ver é um estimulo preconceituoso e que estimula o ódio. O resultado de uma cartum é sem duvida e o reflexo de quem o faz.

Sinto um clima no mundo de certo obscurantismo onde se nega os avanços de conhecimento gerado ela historia da humanidade. Estamos diante de duas noticias onde a liberdade de expressão está ameaçada por esse obscurantismo. A mais recente se deu na parada gay onde atriz transexual que encenou a crucificação de Cristo na Parada do Orgulho LGBT. A cena causou a fúria de alguns religiosos – entre eles, o deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) –, que a acusaram nas redes sociais de desrespeitar a fé cristã. A atriz justifica “Usei as marcas de Jesus, que foi humilhado, agredido e morto. Justamente o que tem acontecido com muita gente no meio GLS, mas com isso ninguém se choca”. Salvo engano a sexta feira da Paixão não é para lembrar que Jesus, que foi humilhado, agredido e morto.

O diretor teatral Zé Celso, e os atores Tony Reis e Mariano Mattos Martins, do Teatro Oficina Uzyna Uzona, compareceram nesta segunda-feira (8), a uma audiência no Fórum Criminal da Barra Funda, acusados de “Crime contra o sentimento religioso”. A ação foi movida em função da apresentação da peça Acordes, realizada na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

A obra, baseada em um texto de Bertold Brecht, foi apresentada em 2012 durante uma greve realizada pelos alunos e funcionários da universidade após a nomeação da reitora Anna Maria Marques Cintra, mesmo sendo a candidata menos votada no pleito. Foi a primeira vez na história da universidade que o candidato mais votado não foi eleito democraticamente como reitor.

Acordes reflete sobre o autoritarismo e o papel da multidão dentro do contexto das mudanças. Como Zé Celso é ex-aluno da PUC-SP e a universidade vivia um momento político conturbado, alunos e professores convidaram o dramaturgo a realizar a peça no Pátio da Cruz, tradicional ponto de encontro de estudantes da universidade. Em seu blog, Zé Celso ressalta que foi convidado e autorizado a entrar nas dependências da PUC: “No dia 27.11.12, membros da própria reitoria autorizaram a entrada do diretor e dos atores, que foram conduzidos à Praça da Cruz, local onde os grevistas estavam reunidos e realizavam a ‘Assembleia Permanente dos Estudantes’”, explica.

O que dizer sobre o cerceamento da liberdade de expressão a não ser que quando abala o mar manso das instituições, expõe seu caráter conservador e repressivo. Assim o entendimento, o poder de raciocínio fica mais pobre.

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Jornalista cultural, tendo trabalhado nos principais veículos midiáticos nacionais e, durante 15 anos, chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura

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