Grécia – A vida imita a arte

desespero

Por volta de 500 A.C, após a epopeia de Homero e Hesíodo, surgiu na Grécia a conhecida arte teatral chamada de tragédia. Tragikós, que para os gregos, era uma forma artística, ou algo que ocorria entre os grandes.

 

A tragédia clássica, segundo Aristóteles, deveria cumprir três condições: possuir personagens de elevada condição (heróis, reis, deuses), ser contada em linguagem elevada e digna e ter um final triste, com a destruição ou loucura de um ou vários personagens sacrificados por seu orgulho ao tentar se rebelar contra as forças do destino.

 

Nos dias de hoje a palavra “tragédia” adquiriu um outro sentido, tornando-se uma forma costumeira para designar um acontecimento doloroso, catastrófico, acompanhado de muitas vítimas, ou para descrever o desenlace de uma paixão qualquer que teve como consequência um terrível assassinato.

 

Passados mais de 2.500 anos de seu surgimento hoje a vida imita a arte para o povo grego dentro do conceito atual de tragédia. As exigências absurdas feitas pela chamada “troika” (Comissão Europeia, Banco Central Europeu-BCE e Fundo Monetário Internacional) estão levando o problema da dívida grega a um desfecho que subestima os riscos nele envolvidos.

 

Mesmo Atenas tendo atendido mais da metade das exigências de seus credores os governos da Alemanha e de outros países continuam a exigir que o governo grego assine um programa que se mostrou fracassado e que a maioria dos economistas não acreditam que deva ser implementado.

 

Apesar da mudança na situação fiscal da Grécia, ter proporcionado superávit depois de um grande déficit, a exigência de que o país obtivesse o superávit primário de 4,5% do PIB ultrapassou os limites do possível.

 

A insistência em prosseguir com um programa de ajuste muito austero e com pressupostos de que com a queda de salários reais e demais medidas seriam capazes de retomar as exportações e a reestruturar a dívida tornando-a sustentável fracassaram em todos os sentidos. A disposição de Atenas em renegociar um acordo viável está sendo derrotada pela intolerância de membros da troika, em especial a Alemanha, e pelos falcões do chamado mercado com seus argumentos que um default já estaria precificado.

 

Acontece que quando esse mesmo mercado perceber que a saída da Grécia do sistema do Euro não é só consequência intrínseca do país, mas também de toda fragilidade e desestruturalização na Eurolandia, o problema de certo ira se alastrar por todo o continente e então o teatro será instaurado. Irão se abrir as cortinas para o verdadeiro espetáculo.

 

De origem Grega, porém com requintes e realismo de uma tragédia nos conceitos atuais.

 

 

“Sendo assim, as revoluções não concernem a pequenas questões, mas nascem de pequenas questões e põem em jogo grandes questões.” – Aristóteles

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Economista e Palestrante. CEO do Portal Aviso em Dois e do Projeto Arrisque

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