O dollar index

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O dollar index é um índice que calcula o valor do dólar com relação a uma cesta de outras moedas internacionais.  A comparação é feita através de uma média geométrica com as seguintes seis divisas e seus respectivos pesos: euro (57,6%), iene (13,6%), libra esterlina (11,9%), dólar canadense (9,1%), coroa sueca (4,2%) e franco suíço (3,6%).

 

O índice foi criado em março de 1973 após o desmantelamento do Acordo de Bretton Woods. O acordo obrigava todos os países a adotarem uma política monetária de taxa de câmbio fixa – porém variável em uma banda cambial de 1% para mais ou menos – e indexada ao dólar, que por sua vez estava ancorado ao ouro numa base fixa de 35 dólares por onça Troy. Em 1971, os Estados Unidos, no governo Nixon, romperam unilateralmente a paridade fixa do dólar com o ouro e, posteriormente, em 1973, aboliram por vez o padrão-ouro, isto é, o dólar não tinha mais lastro em nada. Desde então, o dólar configurou-se como flexível e fiduciário, ou seja, a moeda norte-americana oscila diariamente sem intervenções diretas governamentais e não possui lastro, apenas a confiança no poderio econômico – leia-se também militar – dos EUA.

 

Disso, surgiu a necessidade de criação de um índice que medisse as variações no dólar com relação a alguma coisa. Então, em março de 1973 foi criado o dollar index, sendo no momento adotado o nível de 1:1, ou 100,000 (cem) pontos. Dessa forma, pode-se medir qual foi a fortalecimento (apreciação) ou enfraquecimento (depreciação) percentual do dólar através da cotação do índice. Note-se que o índice não é uma forma de cálculo do valor absoluto, ou valor de troca em outros termos, da divisa americana, mas sim, um método de analisar as oscilações e força do dólar perante outras divisas-chave da economia internacional.

 

A importância de analisar a forte procura por dólar está vinculada à concepção keynesiana de aversão ao risco. Em momentos de crise e elevada incerteza, os agentes buscam liquidez no sistema financeiro, isto é, procuram ativos sem risco, porém seguros. No sistema monetário e financeiro contemporâneo, esta necessidade é satisfeita com os títulos do tesouro americano, os T-Bonds. Mas a crise subprime teve seu epicentro nos EUA e dentro do mercado financeiro, que deu uma configuração nova se comparada com as crises anteriores, ocorridas em outros países e mercados, que vinham dos países periféricos. Ou seja, havia crise e não se sabia para onde correr (Flight to Quality).

 

Foi neste momento, que os grandes investidores precisaram redistribuir e realocar seus investimentos, quitar operações vencedoras para pagar prejuízos nos EUA, além disso, a aquisição de dólar foi uma prioridade, uma vez que a moeda tem liquidez global, permitindo que o capital fosse realocado em nível global.

 

Algumas informações adicionais. A cesta de moedas usadas para calcular o índice foi alterada apenas uma vez em 1999 com a criação do euro. O menor valor registrado foi de 70,698 pontos em 16 de março de 2008, no contexto da crise subprime. O índice é um contrato futuro negociado na ICE Futures (Nybot), em NY, mas assim como a nossa taxa de câmbio com o dólar existe o mercado spot (à vista). (não tenho certeza absoluta do que está em vermelho)

 

 

Giovani Damiano é economista e trader

Rafael Valim Pereira é geógrafo e trader

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Economista e Palestrante. CEO do Portal Aviso em Dois e do Projeto Arrisque

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