Banco Central fala pela mesa

Federal-Reserve

Antes de o Brasil adotar o Regime de Metas de Inflação (1º de junho de 1999) o Banco Central costumava atuar em sintonia fina com a política monetária atuando ativamente através da mesa de operações de seu Departamento de Mercado Aberto (Demab). Controlando o nível de reservas disponível na economia e balizando a taxa de juros de acordo com a determinação de sua Diretoria de Política Monetária.

Não só aqui, mas em todo lugar do mundo, anterior ao Regime de Metas de Inflação, os BCs também atuavam através de suas mesas de operações no conhecido ”Open Market” (Mercado Aberto) para regularem as taxas de juros pretendidas.

O Regime de Metas tornou a Política Monetária mais lenta e menos eficaz. Daí a necessidade de manutenção por longo tempo de taxas de juros muito baixas visando à retomada de economias, como de taxas de juros muito altas por um longo período para combater a inflação. Lembrando ainda que a alegada previsibilidade econômica mitiga os efeitos da taxa de juros e provoca um elevado nível de indexação.

Desde o ano passado que alguns dirigentes do Banco central americano (FED) têm divulgado alertas, através de atas ou em falas no congresso americano e imprensa, da normalização da política monetária, entenda-se elevação da taxa de juros.

No dia de ontem Janet Yellen , presidente do FED, assustou os investidores de todo o mundo, alertando para possíveis armadilhas provocadas pelos preços das ações, que em sua avaliação estariam “bastante elevados.”

Imediatamente as bolsas americanas passaram a cair acentuadamente arrastando as demais bolsas mundo afora.  Reação natural diante da relevância que tem a fala da dirigente máxima do mais poderoso e influente Banco Central do planeta.

Diante de tantas incertezas no cenário econômico americano e global a fala de Yellen foi um tanto precipitada e de certo não atingirá o objetivo pretendido de eliminar, o que ela avalia como, exuberância do mercado acionário americano.

Apesar do mercado de trabalho americano apresentar melhoras consistentes, o último PIB divulgado foi decepcionante, a valorização acentuada do dólar dos últimos meses já vem prejudicando a balança comercial e a última divulgação do índice de mede o otimismo econômico em maio, foi bem abaixo das expectativas. (1) A esperada normalidade da política monetária ainda não tem estratégia definida.

Como O FED irá elevar os juros e que juros serão elevados? A federal funds rate, a taxa de redesconto? Como ele ira enxugar os mais de US$ 4 trilhões de dólares injetados na economia?

Criaram tantas inovações no pós-crise subprime que a chamada retomada da normalidade ainda sequer foi explicada e explicitada. (2)

Certo é que passado o abalo de curto prazo provocado pelo alerta de ontem de Janete Yellen, rapidamente o mercado vai se dar conta que se trata de mais uma tentativa de agir nos mercados somente pela fala, pelo discurso. Sinal que a esperada normalidade continua distante. Chegando mais uma vez a conclusão que:

 

Banco Central fala pela mesa!

 

 

  • O índice que mede o otimismo econômico nos Estados Unidos caiu 1,6 pontos ou 3,1% em maio, de acordo com o levantamento do Investor’s Business Daily (IBD) em parceria com o TechnoMetrica Market (TIPP). O indicador teve queda de 51,3 pontos

no mês passado para 49,7 pontos agora. O índice ficou abaixo do esperado pelo mercado, de 50,6 pontos (previsão Forex Factory).

 

  • Saída para normalidade da política monetária americana será uma dos temas que em breve abordarei

 

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Economista e Palestrante. CEO do Portal Aviso em Dois e do Projeto Arrisque

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