Entramos na semana do carnaval e muita gente vai viajar para ficar longe do carnaval das grandes cidades. A praia e o interior são destino de muita gente. E mesmo fugindo do carnaval as marchinhas de carnaval serão lembradas. Fez muito sucesso a partir dos anos 20 e ajudaram a popularizar o rádio e o rádio ajudou a tornar as marchas mais conhecidas. Nessa época as escolas de samba não tinham a popularidade que tinham hoje e as marchinhas eram cantadas nas ruas e nos clubes. Essas marchas espelhavam uma época. Tanto faziam criticas sociais quanto mostravam seu preconceito velado. E quando mais elas se identificavam com as populações mais populares ficavam. Problemas sociais como a falta de água e luz no Rio de Janeiro foi tema de muitas marchas e as mais conhecidas eram a de Vitor Simon e Fernando Martins,“Rio de Janeiro
Cidade que nos seduz
“De dia falta água De noite falta luz”
E de Paquito e Romeu Gentil.
Tomara que chova
Três dias sem parar
A minha grande mágoa
É lá em casa não ter água
Eu preciso me lavar.
E até hoje cantamos sem prestar atenção no seu significado. A marcha quase desapareceu nos anos 70 junto com os bailes carnavalescos de clubes e ficaram na lembrança as marchas de sucesso que ano a ano eram repetidas graças ao seu humor e certa singeleza. Havia concurso de marchinhas que eram importantes para compositores já conhecidos nos anos 50 e os mais populares eram Braguinha também conhecido por João de Barro, Haroldo Lobo e Lamartine Babo. Tinham outros bons compositores, mas esses eram imbatíveis.Carlos Alberto Ferreira Braga, Carlinhos pra família, Braguinha para os amigos e João de Barro por ser estudante de arquitetura compôs musicas que até são cantadas. “Cantores do Rádio”, “Pirata da Perna de Pau”,” Balance”, “Touradas em Madri”,” Yes, nós Temos Banana”, “Chiquita Bacana”.
Lamartine Babo era uma figura quase caricata. Voz fina, bigodinho sempre aprumado que em suas composições expunha o sentimental e a gozação. Compôs o hino para todos os times cariocas e era um campeão em marchinhas. Lalá como era conhecido foi autor de marchas como “O Teu Cabelo não Nega”, que trazia certa dose de preconceito quando dizia “… mas como a cor não pega mulata, mulata eu quero o seu amor”, “Linda Morena”, “Grau dez”, “Isso é lá com santo Antonio”, “Cantores do Rádio”, “Ride Palhaço”.
Haroldo Lobo é o menos conhecido dos 3, mas foi quem mais fez sucesso com suas marchas. Autor de “Índio quer apito”, “Alá-lá-ô”, “Passarinho do Relógio Cuco”. È do Haroldo Lobo a marcha “Bota o retrato do Velho” que anunciava a volta do Getulia e que acabou virando musica da campanha presidencial. A letra dizia assim: “Bota o retrato do velho outra vez, bota no mesmo lugar. O retrato do velhinho faz a gente trabalhar”.
Os três, Braguinha, João de Barro, Haroldo Lobo, compunham também samba, samba canção e muito se deve a eles a qualidade da nossa musica popular brasileira. E fazem falto hoje para falar as inundações a que o Brasil é submetido.
Lazaro de Oliveira
Lazaro é jornalista cultural que trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, TV Globo, TV Bandeirantes e durante 15 anos chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura. Com a colaboração do Lazaro o Aviso em Dois dá mais um passo para atender seu público.
*Todas as colunas anteriores, com dicas e indicações culturais, encontraram-se na seção Divirta-se do Aviso em Dois.




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